15 novembro 2006
Lisboa
Fim de tarde no Chiado, as portas das lojas começavam a fechar. Ao fundo da Rua Garrett, o vendedor de castanhas. Lisboa tem um cheiro agridoce no Inverno. A cidade adormece, lentamente. Rasgando o nevoeiro perfumado, o Castelo vela o rio que passa. No Rossio apaga-se o ritmo da tarde, esquecem-se os vendedores de flores, esgota-se o formigueiro humano que se apressa para os cacilheiros. O espaço fica aberto ao sono da D. Maria, ao elevador que sobe em glória, ao largo de S. Domingos que resgata os últimos desalojados do dia. Lá em cima, na outra colina, do bairro mais alto, a roupa permanece nos estendais, as tascas servem os primeiros copos de tinto. Compram-se os bilhetes para as horas seguintes, nos balcões de mármore contam-se os trocos, já soa a música e embriaguês. Táxis de cor ensebada, descarregam os jovens do bairro, vestidos de tantas cores, queimando nos dedos os cigarros e os anos. É o início da noite no largo onde a trindade que se oferece à sorte e pregões mudos de uma estátua cauteleira. Varinas do século de hoje, esquinas onde os copos se empinam, ruelas povoadas por recortes de jornal e manchas de tinta urbana.
Subo as escadas do prédio. Mármore e azulejo, candeeiro de ferro forjado, portas de madeira antiga. No segundo andar, anuncia-se a venda de Lavoures & Tintas.
Toco à campainha, som timbrado e metálico, o fecho da porta faz as honras da casa, lá dentro queima-se o cheiro doutras rotas. Barcos que largaram os portos do rio que ainda hoje nos segura as margens. Um grupo de amigos, tertúlia, novo grémio de Lisboa.
A noite já ia longa quando me despedi do Rossio. Amo-te Lisboa.
Subo as escadas do prédio. Mármore e azulejo, candeeiro de ferro forjado, portas de madeira antiga. No segundo andar, anuncia-se a venda de Lavoures & Tintas.
Toco à campainha, som timbrado e metálico, o fecho da porta faz as honras da casa, lá dentro queima-se o cheiro doutras rotas. Barcos que largaram os portos do rio que ainda hoje nos segura as margens. Um grupo de amigos, tertúlia, novo grémio de Lisboa.
A noite já ia longa quando me despedi do Rossio. Amo-te Lisboa.
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