28 março 2009

 

Rokia em Lisboa


# publicada por Chandra @ 3/28/2009 0 Comentários

25 março 2009

 

A Possibilidade de uma Ilha


# publicada por Chandra @ 3/25/2009 0 Comentários

24 março 2009

 

Anima et Animus

Saímos pela porta das traseiras de partituras na mão e gargantas ressequidas. Há duas horas que cantávamos Maurice Duruflé, uma espécie de martírio pascal, a penitência quaresmal das cordas vocais, um cilício de pauta. Em cada nota grave, a via-sacra, rumo ao calvário da afonia. Cantar os doutores da igreja, há com cada maluco na música! De S. Tomás de Aquino às visões místicas de Santa Teresa de Ávila, Tótta Pulchra Es Maria, ou por favor, tirem-me desta linha melódica! Afim de recriar o ambiente de revelação mística, o compositor apostou no contorcionismo vocal. Em cada nota, a tormenta. Em cada cadência, revirávamos as pálpebras, encarquilhávamos os dedos na partitura, e olhávamos para o relógio digital aguardando o “divino suspiro”.
Depois do suplício vocal, saímos do ensaio a rir! “Pudera – exclamávamos - o tipo dá-nos cabo da voz!”- mas sabíamos que o melhor estava para vir! Já muito longe do estado de beatitude, percorremos as ruas de Lisboa como se fossemos para um botequim cubano, cheirar charutos e beber rum até o dia clarear. Conversar de poesia, de Walt Whitman, da música de Rostropovich à Atalante de Jean Vigo. Os temas pós ensaio fazem-me duvidar sobre os verdadeiros motivos que nos levam a fazer música? Serão os ensaios, os concertos, os bastidores? Penso que fazemos música por e com tudo isto mas, acima de tudo, por um ímpeto de alma, um insconsciente antigo, um código cravado na "anima mea". Pela fraterna companhia dos amigos, pelo privilégio de fazer música em conjunto, para redescobrir almas velhas!
Entrámos no carro estacionado num recanto proibido do Jardim das Amoreiras. A conversa pulsava, serpenteava as vias rápidas de Lisboa, acompanhava como o pedal do violoncelo, as teclas do piano no automático regresso a casa.
Logo no jardim que acolhe o sono de Siza, V coloca-me um saco no colo! “Loja do Museu do Oriente” explicava o pequeno saco de preto. Hesitei, olhei para o sorriso de V e logo percebi que se trataria do livro, não uma herança do Oriente, mas o livro que procurámos no dia anterior depois de termos dissecado o gosto comum por Clint Eastwood. As pontes de Madison County.
"Lê, vais adorar."- dissera-me V.- "Vais chegar à conclusão que ninguém melhor que Eastwood e M. Streep para dar corpo à magnitude deste livro".
Atrás do livro, dentro do mesmo saco, um cheque oferta...
Agora tenho de vos falar das almas velhas.

Depois das Cidades, depois de Carioca, depois de longas conversas sobre Chico, Circos Místicos e Bailarinas, a actriz e a Beatriz, a filha Catarina, o violão e o piano que parece já ouvi tocar…
Depois das horas à porta de casa, das voltas ao quarteirão para prolongar conversas, da música que fazemos juntas e já cantámos em palcos estranhos, veio a “Gota d’Água”! A Gota d’Água é a promessa de estarmos juntas na plateia do CCB.

Chico Buarque tem, entre outros, o dom de juntar almas, almas velhas que andam por aí, à procura de uma tertúlia qualquer. Chico sabe disso, pois ele escreve em "Estorvo", e tem o mérito de fazer qualquer um querer voltar a "Budapeste". Lembras-te como no Domingo, depois do ensaio, a Almirante Reis estava tão parecida com a cidade de Liszt? Lembras-te da imagem que já guardamos da colina da favela, por onde sobe o homem só, ao som do realejo e do Rio que serpentina lá em baixo nos subúrbios? E aquelas três primeiras notas da Inútil Paisagem? "Mas para quê? Para quê tanto sol, para quê tanto mar?"
Para quê tantos anos? Chico tem o mérito de juntar almas velhas. É por isso que teimamos continuar a cantar: "Tuus totus ego sum, et omnia mea tua sunt, Chico!"

# publicada por Chandra @ 3/24/2009 0 Comentários

20 março 2009

 

Equinócio

Equinócio do latim Aequinoctium significa "dias iguais às noites" começa hoje e continua amanhã assim:

# publicada por Chandra @ 3/20/2009 0 Comentários

19 março 2009

 

O político e o mito.

Dizem que Steven Soderbergh "omite o homem real e filma o mito político".
Ainda não vi este "Che" pelo que não posso opinar. Mas não me apetece NADA alimentar polémicas acerca d'El Che, d'El Comandante, da ideologia, das consequências, das gerrilhas e dos resultados das revoluções. Apetece, apenas, ir ao cinema. Ver um Soderbergh com um Benicio Del Toro. Apetece matar saudades da América Latina, a América que ainda canta :Hasta Siempre Comandante!
Os Europeus sentam-se à mesa de um café a trocar ideias, os latino americanos sentam-se no chão a traçar caminhos. Por vezes sobem às mesas e dançam, batem com os pés e gritam, choram e amam, arrancam cabelos e cospem quando algo lhes desagrada.
Che e a sua América são tudo isto e, muito mais do que um mito! Esta América desenha no olhar das suas gentes, nas vozes que ainda cantam "aquí se queda la clara, la entrañable transparencia..." o fim de toda a utopia, o fim dos mitos, a morte dos políticos!
Lá vive-se de fervor e de paixão, de melancolia e arrebatamento. O cheiro da América latina é de sangue e suor. Entranha-se na pele como se fosse um veneno ruim, um vício de mascar, de morder e rasgar, de fincar e temer, uma febre de não dormir, um grito de liberdade. Vou voltar, se vou! Vou voltar a esta América que de tão mítica, me quer mais que esta Europa tão política!
Vou começar por ver o filme, se não gostar cuspo para o lado!

Etiquetas: Cinema


# publicada por Chandra @ 3/19/2009 0 Comentários

16 março 2009

 

Paris in my arms


Morrissey - I'm Throwing My Arms Around Paris

Etiquetas: Paris


# publicada por Chandra @ 3/16/2009 0 Comentários
 

A Cidade. Paris #1

"Chico é poeta. A música suaviza o percurso árduo da sua criação poética. Não é à toa que elegeu a capital francesa como sua segunda cidade, para onde vai muitas vezes quando quer descansar, escrever, caminhar. Paris mexe com a alma dos poetas. Basta abrir os olhos, acertar o passo com a cidade e penetrar no universo poético que inspirou Rimbaud e Baudelaire.
(...) No jogo de Paris, o Politheama ganhou 9x2. Prosseguiu invicto na temporada das Cidades. O futebol, que e sagrado e imprecindível, mantém no chão os pés do artista. Enquanto a imaginação, cada vez mais requintada e sem medidas, vai soltando todas as amarras."
Regina Zappa, Chico Buarque, Edições D. Quixote, 1.ª edição, 2001, p.203

Etiquetas: Chico Buarque, Discos, Paris


# publicada por Chandra @ 3/16/2009 0 Comentários

12 março 2009

 

A Velha Raposa

Photobucket
Estreia hoje. Façam o favor de levantar esses rabos do sofá. Façam o favor de ir ao cinema! Atentamente e tal.
“Eastwood’s voice is not suddenly full of fire. It is equipped with an old man’s crackle and doesn’t often shift no matter the emotion of the moment. But in this story by Dave Johansson and Nick Schenk and with the spare and pointed dialogue in Nick Schenk’s screenplay, and with those ever haunting eyes that always made you believe Eastwood would kill you as Dirty Harry, it all comes together and works. Perhaps only for this film in this wonderful manner, but no matter because it’s a superb achievement (…) John Wayne found True Grit towards the end of his career and now Clint Eastwood has done the same with an unforgettable performance in Gran Torino, a film that is so simple in its telling that it almost slips by how powerful it really is”.
Michael Russnow, in Huffington Post

Etiquetas: Cinema


# publicada por Chandra @ 3/12/2009 2 Comentários

10 março 2009

 

Balmorhea


Balmorhea, “Remembrance"


# publicada por Chandra @ 3/10/2009 0 Comentários
 

A Roda de Sabiá

O círculo é a forma eleita
É ovo, é zero.
É ciclo, é ciência.
Nele se inclui todo o mistério
E toda a sapiência.
É o que está feito,
Perfeito e determinado,
É o que principia
No que está acabado.A
viagem que o meu ser empreende
Começa em mim,
E fora de mim,
Ainda a mim se prende.
A senda mais perigosa.
Em nós se consumando,
Passando a existência
Mil círculos concêntricos
Desenhando.
Ana Hatherly

"A primeira reacção de um animal frustrado é geralmente tentar pôr um pouco mais de força na tentativa de alcançar os seus objectivos. Por exemplo, uma galinha com fome impedida de obter alimentos por uma vedação de arame, irá tentar passar através dessa vedação com esforços cada vez mais frenéticos. Pouco a pouco, contudo, este comportamento será substituído por outro, aparentemente sem objectivo. Os pombos, por exemplo, dão frequentes bicadas no chão quando não podem alcançar a comida desejada, mesmo que no chão não haja nenhum objecto comestível. Vão pôr-se, não apenas a dar estas bicadas indiscriminadas como também a alisar as penas. A um tal comportamento disparatado, frequente em situações que envolvem uma frustração ou um conflito, chama-se actividade de substituição. No princípio de 1986, pouco depois de ter chegado aos 30 anos de idade, Bruno começou a escrever."
Michel Houellebecq, "As partículas Elementares"

A Roda de Sabiá
Nessa tarde Beatriz fechou a partitura. Desistiu de ler a linguagem desenhada na pauta… de tanto empreender na escala e na inversão rítmica já tinha rasurado todo o primeiro andamento, partira a ponta do lápis, rasgara o papel de indignação e terminara o código do diapasão. Limitou-se a afundar os ouvidos nas ondas sonoras do violoncelo e recuperou a folha dobrada. Insistência e frustração são dois limites contíguos contudo, opostos. Continuou a bater a aponta do lápis no caderno azul perfurando o mapa na contracapa: América ao Sul. Desenhou um círculo por cima do mapa, recuperou a certeza de saber voltar, encerrou a circunferência, decidiu voltar.
O homem quando se transcende anda em círculos ou volta sempre ao mesmo lugar.
Retomou o tema do violoncelo, voltou a abrir a partitura e descobriu, a partir do Lá, que a volta se fazia em Mi.
Ao fim da tarde contava fazer a reserva da próxima viagem. O mapa ficara planeado por círculos em torno da América Latina. Foi aí, aos 35 anos, que Beatriz decidiu voltar a escrever.

# publicada por Chandra @ 3/10/2009 0 Comentários

08 março 2009

 

A terceira face.

"Penso que tenho sido suficientemente realista e é isso que sou nesta altura da vida. Sempre senti que as pessoas têm que evoluir. Se alguma vantagem há na idade, é o conhecimento e a experiência, até ao dia em que me surja alguma espécie de pré-senilidade, julgo que vou continuar a explorar isso. Mas se uma pessoa não está disposta a aceitar a idade que tem, não se pode fazer isto [continuar à frente das câmaras como actor sem temer a sua comparação com a imagem icónica de jovem actor]. Nesse caso uma pessoa não pode senão sentar-se e dizer, 'Bem há 40 anos atrás eu era esse tipo que corria e empunhava esta arma'. Não que não possa fazê-lo até determinado ponto, mas não está certo. O que é justo é jogar agora na minha área. Brinquei com a idade em "In the line of fire", mas agora é altura de dizer 'é isto que és e aquilo que serás'. Podia pintar o cabelo e dizer que voltei a ter 35 anos. Mas não tenho e não o vou fazer."
Clint Eastwood, in Film comment, 2005 execerto da entrevista de Amy Taubin, in Clint Eastwood, Um Homem com Passado, Cinemateca Portuguesa, Museu do Cinema, 2008, p.83

A propósito de Grand Torino

Foi ao som de uma salva de palmas que terminou a projecção de Grand Torino na passada sexta-feira na Cinemateca Portuguesa. Enterrada na cadeira fiquei presa ao tema final de Grand Torino e lembro-me de não ter vontade de sair da sala. Apetecia ficar por lá toda a noite, e rever os filmes de Eastwood com e sem o próprio. Clint Eastwood é um homem sem idade, um dos maiores realizadores vivos. É pois com assumida audácia que me arrogo afirmar: "existem dois tipos de amantes de Cinema os que se rendem a Clint Eastwood e... os outros".

Sergio Leone afirmou:"Eu gosto do Clint Eastwood porque ele tem somente duas expressões faciais. Uma com o chapéu e outra sem ele". Em Grand Torino Clint Eastwood põe o chapéu, tira o chapéu e olha-nos nos olhos! Grand Torino é pois muito mais do que apenas mais um filme de Eastwood. É a imagem projectada no espelho, é um álbum de memórias, a recolha de ícones cinematográficos criados pelo próprio Eastwood. Já aqui falei na dificuldade de escrever sobre os seus filmes, e com toda a seriedade esta dificuldade é cada vez maior. Mas é impossível resistir a esta terceira face de Eastwood, o seu olhar. O que mais me intriga e fascina nos filmes de Clint Eastwood é um denominador comum: o arrependimento por algo que se fez ou se deixou de fazer. A ideia de redenção é uma constante. Tudo se desenrola como se o realizador procurasse, através da absoluta humanidade que imprime nos seus filmes, encontrar a absolvição da culpa, do erro, da omissão, da ausência de discernimento e consciência, a ideia de transcendência e plenitude, no grande plano da moral ou do excesso dela. Neste Grand Torino Eastwood alcança, finalmente, a redenção. Apesar de não se confessar pelo (em) nome próprio, nunca entregando as mãos a quem o reporta a Deus, apesar de não acreditar na eternidade nem na feição "agridoce da morte", Clint atinge a paz redimindo-se do pecado capital. Clint deixa o chapéu, baixa a arma digital e confessa-se, por fim, de braços estirados na relva como o um novo redentor: Eis-me perante o Ti em nome da vingança que é tão enganadora como a própria morte. Clint Eastwood encontra o seu "Personal Jesus" e Grand Torino é um capítulo da Bíblia.

O cenário é a América de Obama, dos netos do Tio Sam, a América onde o crime tem nome de raça e de vergonha. São de raça e de vergonha os homens que em tempos partiram para a terra prometida. São de intolerância e de arrependimento, de multi culturalismo e identidades esquecidas, reprimidas. Clint é Walt Kowalski , um americano de descendência polaca, que herdou o perfil de Harry Callahan, o "dirty harry" de Siegel, o bom , o mau e o vilão numa só personagem. Walt Kowalsky é o cowboy de Leone, o justiceiro incorruptível, o inspector rabugento, o Frank Corvin da Ford, os homens de Iwo Jima, o estandarte da bandeira dos seus antepassados. É impossível não sentir uma enorme empatia por este Walt Kowalski, é impossível não chorar a sua morte. Mas é ainda bem mais agradável olhar Clint Eastwood através dos seus próprios olhos, sentido a sua própria música. Imperdoável esse olhar: casas comigo Clint?

Etiquetas: Cinema


# publicada por Chandra @ 3/08/2009 0 Comentários

06 março 2009

 

"Um Clint Eastwood com Clint Eastwood"


Gran Torino
Clint Eastwood

Estados Unidos, 2008 - 116 min.
Sala Dr Félix Ribeiro, 21h30m
Cinemateca Portuguesa

Finalmente Grand Torino... ou a a melhor forma de começar o fim-de- semana.

# publicada por Chandra @ 3/06/2009 0 Comentários

04 março 2009

 

Imaginário

“Parece-me que a música vive num espaço próprio, que se abre a quem a ela se dá num momento. No entanto, é o imaginário de cada um que determina o que essa "inspiração" representa, e de que forma se manifesta. E isso é que me fascina”.
André Fernandes

Mais uma edição da Tone of a Pitch Records para o último trabalho de André Fernandes intitulado Imaginário. Depois de CUBO o guitarrista português lança o seu imaginário musical mantendo a parceria com Mário Laginha no piano e Fender Rhodes, Nelson Cascais no contrabaixo e baixo eléctrico, e Alexandre Frazão na bateria.
Na gravação de “Imaginário”, André Fernandes contou, em alguns temas, com outros instrumentistas que, com ele, compõem um quarteto diferente: Bernardo Sassetti no piano e Fender Rhodes, Demian Cabaud no contrabaixo e Marcos Cavaleiro na bateria. A última música do novo trabalho é interpretada por um trio composto pelo guitarrista, pelo contrabaixista Bernardo Moreira e pelo baterista Marco Cavaleiro. Uma das novidades introduzidas pelo guitarrista neste “Imaginário” é o recurso à electrónica. Obrigatório.

Etiquetas: Discos


# publicada por Chandra @ 3/04/2009 2 Comentários

03 março 2009

 

Obrigada Vera...

# publicada por Chandra @ 3/03/2009 0 Comentários

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Subscrever Mensagens [Atom]


Hiperligações

  • KEXP 90.3 FM Seattle
  • Zune Arts
  • Sterogum
  • Little Radio
  • Pitchfork

Arquivos

  • outubro 2006
  • novembro 2006
  • dezembro 2006
  • janeiro 2007
  • fevereiro 2007
  • março 2007
  • abril 2007
  • maio 2007
  • junho 2007
  • julho 2007
  • agosto 2007
  • setembro 2007
  • outubro 2007
  • novembro 2007
  • dezembro 2007
  • janeiro 2008
  • fevereiro 2008
  • março 2008
  • abril 2008
  • maio 2008
  • junho 2008
  • julho 2008
  • agosto 2008
  • setembro 2008
  • outubro 2008
  • novembro 2008
  • dezembro 2008
  • janeiro 2009
  • fevereiro 2009
  • março 2009
  • abril 2009
  • maio 2009
  • junho 2009
  • julho 2009
  • agosto 2009

jukebox
(Broadcasting From Home)