30 outubro 2008

 

Ainda hoje...


Thee Silver Mt. Zion - Microphones In The Trees

Hoje à noite na ZDB. Há noites assim, em que tudo acontece à mesma hora. Sem comentários.


# publicada por Chandra @ 10/30/2008 0 Comentários
 

Restart: 2 Anos Absolute Beginners!

Há dois anos a começar de novo…
Disse há uns tempos que a forma escrita é apenas um dos veículos para cristalizar, imortalizar alguns sentidos. Escrever e fazer música é contudo mais que isso. Tornam-se uma urgente necessidade de intimismo e identificação. Começar a tratar as palavras por “tu”e dizer-lhes que pretendemos apanhar boleia nelas é um assunto sério. Depois torna-se um hábito, para rapidamente se transformar num ritual e por fim num processo individual: nossa própria criação. Escrever… não apenas como um compromisso formal, gráfico, estético, uma fórmula redonda de abnegação. Nada disso. Entrar em palavra é abrir as portas das galerias mais recônditas, deixar cair o véu, descascar a cebola, é no fundo uma forma de sobreviver. Mais que isso, é eternizar o acto de sobrevivência.
Viver num universo de palavras cruzadas, sentimentos híbridos e certezas volúveis não é fácil. Viver para dentro, hermeticamente alheados deste universo de cordas e algemas de papel, é igualmente errado. Então escrever é abrir a porta aos perigos evitar assim perder identidade. E escrever é mais que tudo isso, sendo certo que é contra isso!
Sabemos que não há verdades absolutas, nem formas alquímicas, equações exactas, remédios santos! Sabemos apenas que há metamorfoses e que tudo recomeça, nada se perdendo, apenas sempre reaprendendo. Começar de novo.
Hoje ao invés de nos perguntarem o nome, perguntam-nos a nossa profissão. Já não nos perguntam qual a banda ou disco favorito, perguntam-nos se queremos casar e ter filhos. Perguntam-nos se arrendamos a casa ou se somos donos de uma dívida até aos 70anos. Perguntam-nos tanta coisa, por telemóvel, por questionários por dá cá aquela palha. Mas nunca nos perguntam da identidade. A verdade é que todos seguimos o mesmo caminho e de nada vale perguntar, ou querer saber as coordenadas. Não interessa. Há que seguir e sentir a rota certa. Esta intuição é…e, se assim não for… recomeçamos sem tentarmos perceber ou justificar porquê.

Este blog tem vindo a recomeçar com a ajuda das palavras, dos dedos, e da voz. A Música. Ao Zito The (O) web designe futuro mestre radiofónico que agora transmite na Rádio Zero, ao Mr Postman pelos nos BFH, à Leo, ao ZapataTunes esse amigo incansável e suficientemente loiro para ser do meu universo, a Divia, Jackie, à irmandade do Zune, à Xana e suas personagens, as fusas e as smifusas, fugas e allegros, EA’s e restantes amigos, Gui e Borrer on the top, em coro ou em uníssono, ao Xico= (My) Boyd Rice and (my dearest) Friends) ao projecto Call Art-Te, às casas, ao Black, S. Roque e os amigos… a todos. Lets Shake it and start over again.
Foto: Descida de Quetzalcoalt ao Submundo. Pintura de Juan Barrios. Ikklil, México, Setembro de 2008.

# publicada por Chandra @ 10/30/2008 5 Comentários

29 outubro 2008

 

Viagens na minha terra

Semana de ensaios. Corremos ao fim do dia para a zona norte de Lisboa. Aguarda-nos mais um ensaio, desta vez com a orquestra. A sala é fria, as vozes estão ainda em bruto, afinam-se as cordas, os metais soam quentes e começa a peça ao gesto impetuoso do maestro. Cantamos pela primeira vez com a orquestra e ainda não sabemos como vai soar esta majestosa união. O compositor está presente: Eurico Carrapatoso. Sentado a um canto da sala, partitura na mão, olhar vago, corrige os ritmos e os andamentos, delicia-se com o esboço daquilo que já está escrito. A orquestra toca. Avançamos com eles na cavalgada, no pulsar das trompas, à procura do "Lá" que virá dos violinos e marca a nossa entrada. No final de cada andamento, pousamos a partitura nos joelhos e sentamo-nos. Miramos, pelo canto do olho, o Eurico como quem procura um sinal, um gesto de aprovação, enfim.. ainda agora começámos. O encantamento com a Harpa, mesmo à minha frente, faz-me esquecer a entrada. Não entrando a tempo, fico ali de pé, apenas a ouvir, acaba-se o segundo andamento: " Offertorium". Neste momento percebo que nunca conheci outra morada.
E o irónico é que voltaremos ao Vale de Santarém para cantar este Requiem. Voltamos às terras de Garrett...
Sobre o Requiem à Memória de Passos Manuel:
(...) Eis a passagem que o barítono declama sobre uma cama de timbres pianissimo na harpa e uma melodia da lontano da trompa: (...) No fundo de um largo vale aprazível e sereno está o sossegado leito do Tejo, cuja areia ruiva e resplandecente apenas se cobre de água junto às margens, donde se debruçam verdes e frescos ainda os salgueiros que as ornam e defendem(...): o mais belo, o mais grandioso, e ao mesmo tempo, o mais ameno quadro em que ainda pus os meus olhos. Seguidamente canta uma das minhas páginas musicais mais queridas: Com os olhos vagando por este quadro belo e formosíssimo, a imaginação tomava-me asas e fugia pelo vago infinito das regiões ideais. Depois entra o coro impalpável no In Paradisum litúrgico. O Requiem partiu do fim. Aquela foi a última intervenção do solista, metamorfoseado em Almeida Garrett. Foi para mim absolutamente imperativo pôr o Almeida Garrett a cantar nesta obra a paisagem privada do Passos Manuel, a sua janela para o mundo e, consequentemente, a sua mundividência.
Depois de referir este traço fundamental que atravessa e determina toda a obra, devo apenas acrescentar que este Requiem não tem a sequência do Dies Irae. Esta sequência que fez as maravilhas das motivações teatrais de tantos e tantos compositores, não me interessou aqui tratar. A minha visão é muito mais serena. Tendo em conta a figura homenageada de Passos Manuel, um homem de cultura e de extrema subtileza, quis cantá-lo assim, sem retórica ribombante, sem bateria e sem metais reforçados. Não o Deus da ira, mas o Deus da paz. O seu gesto e a sua memória mereceram-me esta consonância."
Eurico Carrapatoso, Lisboa, 7 de Agosto de 2005

# publicada por Chandra @ 10/29/2008 7 Comentários

27 outubro 2008

 

O Teatro e o seu Duplo

"A dreamer is one who can only find his way by moonlight, and his punishment is that he sees the dawn before the rest of the world".
Oscar Wilde


O pano voltou a subir no Estrela Hall. Como dizia o Beckett nada como tentar outra vez e falhar melhor. E tu também voltaste ao teu mundo. Tal como disseste no foyer entre lágrimas e esgares de de almofadas rotas: welcome to my world the ass is the center. Isto é Teatro! Não fora o Teatro o palco onde se resgatam as gargalhadas e se reaprende a arte de chorar. Artaud falava do Teatro e do seu duplo. E o duplo do teatro é o fim. O fim da peça, o fim do silêncio, o fim das ressonâncias de Moliére, o fim dos limites, o fim dos medos, o fim das eras de recolhimento. Ainda bem que voltaste e recomeçaste o fim!
É por fim e sem temer o final, que os Lisbon Players continuam a dar-nos o teatro puro! É Teatro sem pompa mas com a circunstância. Encheram e encurtaram as distâncias renovando a vontade de recuperar o ritual de voltar pelo menos uma vez por mês.
Enquanto casa não vai abaixo e a disputa pelos direitos fiduciários do Estrela Hall continua acesa, abrem-se as portas para receber amigos, conhecidos, voluntários, amantes do teatro, da música, das ilusões. Ali no “quarteirão inglês” (à rua da estrela 10) reside a vontade de continuar a representar Ibsen, Beckett, Shakespeare, Ionesco, e há o glam do british accent e do tuga mal amanhado. No palco o céu é o limite e vale tudo, tudo reencarna em novas formas e renovados conetúdos: a Britcom, Sinatra, ilusionismo e tal, afro-china-blues (há muito tempo que não ouvia uma voz de blues assim!), drag queens, stripers typers…
É o Teatro em todo o seu esplendor, reactivando a fantasia e as memórias, acolhendo os amigos no Hall da Estrela. Lá cheira a alfarrabistas e desmaquilhante barato, há lantejoulas do século passado, convidados que nunca chegaram a ser e aguardamos a tua entrada em cena com um copo de vinho tinto sobre o joelho. Há um sofá dos anos quarenta, uma Virgínia Wolf perdida na parede, livros de I. Welsh, O. Wilde, S. Plath, ao preço da uva mijona. Há mantas de ratalhos hand made by Mary, a chaleira branca a dois euros que ninguém levou para casa. E depois, já quando as plumas ficam cobertas de eyeliner borrado, os convidados mais velhos se recolhem nas memórias de Edmund White e James Joyce, subimos ao palco para dançar os Cd’s velhos do DJ improvisado. Rodava a Sagres, a Super bock e o Gin de terras de Sua Majestade, acabadinho de sair na rifa de angariação de fundos, parece que a Shirley Bassey também passou por lá. The Queen is dead but not the Theater.
Tenta novamente, falha novamente mas falha melhor. Nada mais te posso dizer Honey Bunny. Bem vinda ao teatro continua no teu mundo! The show must go on! Keep on dreamer... i love to seen your dawn.

# publicada por Chandra @ 10/27/2008 3 Comentários

22 outubro 2008

 

Cadernos

Nunca é demais citar Saramago. Nunca será demais ler Saramago.
Sobre dois homens, universos paralelos, Budapeste e Chico Buarque. Vale a pena ler... Saramago e Budapeste.
"Um livro existe, deixará de existir, existirá outra vez. Uma pessoa escreveu, outra assinou, se o livro desapareceu, também desapareceram ambas? E se desapareceram, desapareceram de todo, ou em parte? Se alguém sobreviveu, sobreviveu neste, ou noutro universo? Quem serei eu, se tendo sobrevivido, não sou já quem era? "
José Saramago, O Caderno de Saramago, 21 Outubro 2008

# publicada por Chandra @ 10/22/2008 1 Comentários

20 outubro 2008

 

Olvido Absoluto

I- PRÓLOGO: Prólogo (do gregoπρόλογος, prologos) é um termo usado na literatura designando uma introdução a uma história. E significa na Tragédia Grega, a parte anterior à entrada do coro e da orquestra, e na qual se enuncia o assunto da peça.
Certamente os mais atentos ( 3 Vivas às pessoas atentas) terão notado alguma alienação no conteúdo de certas “postagens” desta esquina.
Passamos à explicação científica do facto:

II- PREÂMBULO: Olvido do Lat. Oblitu = s. m., acto ou efeito de olvidar; olvidamento; estado de uma pessoa ou coisa esquecida; esquecimento. Note-se que não nos referimos ao nosso ouvido mas sim a um estado de alma: o olvido absoluto.
Na verdade, sendo o verbo Olvidar uma característica (muito) particular, a mesma nunca implicou qualquer tipo de inconveniente ou prejuízo (tirando aquela história do Hotel em Londres mas isso tratar-se-á noutro fórum). Em suma, este olvido absoluto nunca originou consequências maiores que a mera troca de peças de vestuário, acessórios, nomes, lugares, pessoas, entradas em casas e carros alheios, etc.
Mas quando o olvido começa a perturbar o ouvido e o absoluto se assume em contínuo absurdo, a coisa merece melhor análise.
O grave aconteceu ontem ao fim da tarde. É inédito mas a Aula Magna de Lisboa acolheu ontem um concerto de dOULENC Corporation:
1) Francis Poulenc +
2) Thievery Corporation +
3) dEUS.
Passamos a explicar o fenómeno auditivo e estético.
Este fim-de-semana iniciámos o espartano período de ensaios: Sábado das 9h-19h. Domingo das 10h-14h e das 18h-20h30.
Entre tantas horas de partituras, terceiros compassos, sistemas com anacruse e o catano, chegámos ao ensaio do fim de tarde de Domingo. Aula Magna de Lisboa. Reportório: Os Motetos de Francis Poulenc.
Garanto-vos que das coisas mais belas que escutei este fim de semana, para além da obra etérna Gabriel Fauré foram os Quatro Motetos do Francis Poulenc.
Mas nem tudo são rosas. Ensaiar os quatros motetos de Poulenc após um fim de semana de estoiro auditivo não é fácil. Mais... ensaiar Poulenc escutando o check sound do concerto da noite também não torna a tarefa mais ligeira.
E agora, o trauma.
Ao sair da Aula Magna, convenci-me que estáva a abandonar o local do concerto dos Thievery Corporation . Juro que o pequeno ensaio que escutei parecia um tema dos rapazes.
Apesar de já estar dentro da Aula Magna, perto da sala dos artistas, a dois passos da entrada da plateia, a meia hora do início do concerto da banda de Tom Barman, pensei: " naahhh ouvir T. Corporation ao fim deste fim de semana será demais para os meus ouvidos fustigados".
E decidi abandonar a Magna Sala. A caminho de casa recebo um sms de um amigo: " Vais ao concerto de dEUS? Espero por ti à frente da porta da Reitoria."
(!!!!!)
Virei as costas a dEUS! Pecado capital! Já comentaram comigo que o concerto foi muito bom! Tenham misericórdia!
III- A SAGA: Hoje, a meio da tarde, descobri que meti no saco as partituras erradas. Ou seja, hoje há ensaio sem partituras: é o que se chama cantar de olvido.
IV- PRELÚDIO- Esta semana há um concerto que gostaria de ver.
Conto com as vossas preces!

# publicada por Chandra @ 10/20/2008 1 Comentários

15 outubro 2008

 

Os Amigos de Jack

A Fnac tem à venda uma edição especial de O Estranho Mundo de Jack de Tim Burton/Henry Selick. A edição em DVD das aventuras de Jack Skellington é uma imprescindível peça de colecção a juntar à obra de Tim Burton. Mas ainda a propósito de Tim Burton e de obras de animação, importa referir outro grande mestre da técnica do stop-motion: René Castillo, realizador mexicano, responsável por este Hasta Los Huesos (2001).
Numa altura em que o México se prepara para as festividades "del dia de los muertos", agradecemos ao amigo José Baquedano o envio deste vídeo, tão alusivo do México, tão ilustrativo do “espirito mexicano”e tal como não poderia deixar de ser, com a imprescindível referência à La Llorona na voz de Eugénia Leon.

Eis:

Etiquetas: México


# publicada por Chandra @ 10/15/2008 0 Comentários
 

Tequilla me mata # 1

Etiquetas: México


# publicada por Chandra @ 10/15/2008 3 Comentários

14 outubro 2008

 

Private Joke

Leonor queres explicar isto?

# publicada por Chandra @ 10/14/2008 2 Comentários

11 outubro 2008

 

My Howlin Mercy



Jonh Campbell- Devil in my Closet.
Há dias para ouvir Campbell, a rodar por cá, por uns bons tempos.

# publicada por Chandra @ 10/11/2008 0 Comentários

09 outubro 2008

 

Coisas do género...

"She wrote: Minhas, amanhã é sexta, depois do trabalho, copo na mão? Tequilla por favor, ou melhor, na forma de uma uma Marguerita.
Não te esqueças de me levar um perfume qualquer, leva na mala, bahh que se lixe, hum, nae, é melhor levares: depois do Yoga não quero cheirar à Praça da Figueira! Quero dar-vos aquele abraço. Vamos matar saudades da esplanada do noobai? Um cigarro de fim-de-semana, saudades do sabor a mentol fresco e restos de vodka. E as luzes, e as cores do Bairro Alto. A puta da prestação da casa lixou-me este mês, apetecia-me tanto comer sushi! Vamos àquele bar do BA a música também é nossa e a Marguerita tem cheiro a cacto destilado noutras terras!
Vamos lá amanhã é sexta feira! Afinal trata-se de andar pelas ruas. Trocar conversas e deitá-las fora.
Quero perceber se senti falta de Lisboa.
Gosto daquela rua! Hey, lembras-te quando ali estivemos estivémos juntas? Preciso de dançar amanhã! Calçada do Combro, lá vamos nós outra vez, acabamos sempre lá. E amanhã Sr. Mustache, estaremos à porta reivindicando a prioridade concedida pelos hábitos e os anos. Sinto saudades de ouvir Nick Cave no Até ao Fim! Agora telefonamos umas às outras a pedir conselhos jurídicos.
Tenho uma amiga que pôs unhas de gel. Foda-se que decadência! Caramba afinal acho que vou sair hoje, já não aguento até sexta! Preciso de uma Marguerita. Hey vais para casa agora? Vou lá ter contigo, compramos umas cenas e bebemos uma marguerita, por favor ensina-me a por o sal no copo!
She wrote back to her: Já é já raro acordar de ressaca, corpo partido, cabeça quebra-cabeças, articulações chorosas, garganta aspera, olhos secos.
É raro, já tenho idade para saber melhor.
Antes de me deitar, depois do táxi estupidamente caro (dava para pagar 3 imperiais no incógnito, caraças), depois dos sapatos atirados para o canto do quarto, a roupa retirada com gestos de rasganço, ainda tenho a lucidez que me dita a experiência de deitar uma grama de paracetamol num copo de água mineral e engolir com sofreguidão como se fora levedada e com trago a cevada.
É raro também porque saio cada vez menos.
Uma amiga casada, dá jantares aos sogros e suspiros pelo telefone.
Vai aguentado a vontade de vadiagem aturando os amigos do marido e as suas companheiras igualmente suspirantes.
Uma amiga mãe, mudou de copa B para duplo DD e já só se levanta da copa para ir à sanita e é quando pode. Aguenta, vai aguentando...
Resta-me saber que o caos urbano da polis tem sempre lugar para mais um no "night bus" e que de noite todos os gatos são pardos, todas somos belas e jovens e ninguém nos dá trinta anos e responsabilidades e cargos.
De noite, vivemos todos em casa dos pais ou dividimos casa com malta igualmente jovem e descomprometida, temos todos um chaço velho ou andamos de transportes públicos, usamos sapatilhas da puma e casacos da HM. De noite, não sonhamos com familia e filhos e grandes ceias de Natal e troca de presentes. Há noite, o ramadão faz o armisticio e as almas rejubilam na miragem do pecado original. Deus dorme à noite e finge que não vê, como a mãe que não sabe que a malta fuma às escondidas.
De noite somos todos mentirosos, e felizes!
A manhã é que é fodida."
Nota: Este post é da autoria delas!

# publicada por Chandra @ 10/09/2008 5 Comentários

08 outubro 2008

 

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara!"

Enquanto na "América" de Alexis de Tocqueville, se foi impondo a doutrina do "Estado Espectáculo" a la Roger-Gérard Schwartzenberg, um laureado escritor português deu a conhecer ao mundo (1995) um dos maiores tratados literários sobre a condição humana: O Ensaio sobre a Cegueira.
Trata-se de um dos livros maiores de José Saramago, que vale por si e que tem o mérito de chamar à colação um grande nome do cinema, Fernando Meirelles, um dos realizadores que melhor trabalha a temática da pobreza, da discriminação, da vulnerabilidade, da máquina que atropela as mais elementares formas de dignificação humana.
Se o debate enobrece, não devemos esquecer os ensinamentos da história. E como dizia Erasmus: "In the kingdom of the blind, the one-eyed man is king." Eis um excerto da mais recente manifestação de "cegueira" de Saramago:
"Como serão as coisas quando não estamos a olhar para elas? (...)
Quando numa habitação imersa em total obscuridade acendemos uma luz, a escuridão desaparece. Então não é raro perguntar-nos: “Para onde foi ela?” E a resposta só pode ser uma: “Não foi para nenhum lugar, a escuridão é simplesmente o outro lado da luz, a sua face secreta”. Foi pena que não mo tivessem dito antes, quando eu era criança. Hoje saberia tudo sobre a escuridão e a luz, sobre a luz e a escuridão."
José Saramago, "O outro lado", O Caderno de Saramago, 7 Outubro 2008

# publicada por Chandra @ 10/08/2008 0 Comentários

06 outubro 2008

 

Zapatunes: # Zero

Depois das férias, nada como o reencontro com os amigos para resfriar a vontade de voltar a outras paragens! Em jeito de homenagem ao companheiro de guerra JBraZune iniciamos uma rubrica cujo conteúdo passará a ser da sua inteira responsabilidade. A nova rubrica, que intitulei de Zapata Tunes, derivou nas Zapatunes é a a melhor forma de te dizer: obrigadinho hey pá! É que ñão é para todos ter um cantinho nesta mercearia!
" O general Zapata recomenda:
Mau - Tales of Wonder, Fur and Deception (2008) (http://www.myspace.com/manandunable)
Matias Tellez – Tamias Mellez (2007)

http://www.myspace.com/matiastellez
)
Grand National – A Drink and Quick Decision (2008)
http://www.myspace.com/grandnational)
My Morning Jacket – Evil Urges (2008) (
http://www.myspace.com/mymorningjacket)
Fleet Foxes- de Seatlle ( banda querida da
KEXP)(www.myspace.com/fleetfoxes) "

Etiquetas: Zapatunes


# publicada por Chandra @ 10/06/2008 2 Comentários

03 outubro 2008

 

El Grito

No dia 15 de Setembro os Mexicanos celebram o dia D'El Grito, o dia da independência.
As celebrações são gigantescas e repetem-se em todas as cidades, villas, pequenos pueblos por todo o México e comunidades mexicanas espalhadas pelo mundo. Tivemos a sorte de apanhar a fiesta, participar nela, assistir aos muitos concertos e espectáculos populares no Centro da cidade, testemunhar a emoção de um povo que aderiu em massa às festividades para celebrar La Fiesta Pátria! Desde os petiscos de rua, às pachangas, às loucuras das cantinas, ao fogo de artíficio, ao momento solene em que se cantou o hino nacional, foi tudo demasiado intenso, genuíno! Mas o momento alto deu-se quando na tribuna presidencial se escutou, pela voz do representante do Governo, o discurso inflamado proferido em 1810 por Miguel Hidalgo y Costilla.
Seguem-se algumas fotos, meio tremidas da emoção, mas genuínas:

Eis o texto d' El Grito que passamos a transcrever na íntegra:

" Hermanos míos, Mexicanos por la Patria y por la Ley:

Ha llegado la hora de la bendita libertad que tanto tiempo se ha anhelado. La campana que siempre ha llamado a misa, esta mañana os llama para daros libertad y justicia. Tendreis vuestras tierras, si luchais por ellas. Tendreis el pan de vuestros hijos, sí sabeis defender la causa. Todo lo que por derecho os pertenece, volverá a vuestras manos.

Habeis de saber que este movimiento tiene como objeto quitar el mando a los españoles europeos. Ellos ya se entregaron a los franceses y quieren que nosotros corramos la misma suerte, lo cual no debemos consentir jamás, porque lo que lo único que "deseamos es ser una nación independiente de España, gobernada por nosotros mismos: Quitamos al virrey, le negamos obediencia al rey de España ¡y seremos libres
!".
Hijos míos, habeis tenido la fortuna de nacer en una tierra inmensamente fecunda, para que goceis de todas sus bondades, con todos los derechos del hombre, porque Dios hizo iguales a todos sus hijos, para que:

¡NINGUNO FUERA ESCLAVO!.
Hoy, esa libertad se ve mancillada por la ignominia y la maldad. "Rompamos, americanos, estas cadenas de ignominia, con que nos han tenido esclavizados tanto tiempo". Necesito de vosotros, de todos vosotros, para que la antorcha que aquí se enciende no se apague jamás. Y sea el fuego simbólico que recorra iluminando todos los caminos de México. Para que vuestro ejemplo sea el estandarte que atraiga a todos los amantes de la justicia y de la libertad. ¿Estais dispuestos a seguirme?

“Los opresores no tienen armas, ni gente, para obligarnos por la fuerza, a seguir en la horrorosa esclavitud a que nos tienen condenados".
"Luchemos por nuestra libertad, llevando en la frente como guía, el signo de la justicia y el poderoso auxiliar de la convicción". (...)
¡Mexicanos, pongamos a Dios delante y vayamos a la lucha!:¡Muera el mal gobierno!
¡Mueran los gachupines!
¡Viva nuestra Santa Fe Católica!
¡Viva nuestro amado soberanodo Fernando Séptimo!
¡Vivan los derechos que Dios y la naturaleza nos han dado!
¡Viva la independencia!
¡Viva la libertad!
¡Viva México!,
¡Viva México!,
¡Viva México!."
Nota: Fotos nossas e bolt, obviamente, nosso.

# publicada por Chandra @ 10/03/2008 0 Comentários
 

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Si tu Disais, Quitana Roo, México, Set. 2008

If you said let's go
if you said i'm sick of this place
i would listen to you
i wouldn't hesitate
and whether it's for a town
a godforsaken place
it wouldn't bother me
i'd be ready as if
i was waiting
if you said up to now
we've gotten by with the blues
i would agree
i would answer that it's true
every wall, every crack
i am sick and tired of this place
if you said only this
i'd be ready as if
i was waiting
if you said let's go
if you said it was time
i would listen to youi've been ready for a while
but you never sayyou never decide
never think of what we could do
i don't know why you're still here
Calexico, Si tu disais

Etiquetas: México


# publicada por Chandra @ 10/03/2008 1 Comentários

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