29 agosto 2007
Revisited 17
"You know sometimes I think that artists are rather like hunters aiming in the dark. They don't know what their target is, and they don't know if they've hit it. But you can't expect life to illuminate the target and steady your aim. The creation of beauty and purity is a spiritual act."Morte a Venezia, Luchino Visconti, 1971
Etiquetas: Revisited
28 agosto 2007
D'un Soir un Jour
A coreógrafa belga Anne Teresa de Keersmaeker regressa ao CCB a 21 e 22 de Setembro para apresentação da coreografia D'un Soir un Jour uma peça desbobrada em seis actos dançados ao som da música de Claude Debussy, George Benjamin e Igor Stravinski.A coreógrafa que melhor trancreveu para a dança a música de Bártok, Magnus Lindberg, John Cage, Yannis Xenakis, Steve Reich, Pierre Bartholomée, entre outros grandes nomes da música contemporânea, regressa a Portugal para a apresentação de D'un Soir un Jour, onde se recupera o tema central do trabalho de Keersmaeker, a obesessão pelo movimento livre e a sua relação com a música. As seis coreografias que integram esta peça, são adornadas por execertos de Blow- up de Antonioni e desdobram-se ao som de algumas das mais emblemáticas composições de Debussy (Prélude à l’après-midi d'un faune e Jeux) e G. Benjamin (Symphonies of Wind Instruments / To the memory of Claude Achilles Debussy) sendo alternadas por composições de I. Stravinski. Destaca-se a peça Dance Fugures, da autoria do compositor contemporâneo G. Benjamin composta especificamente para Rosas a companhia criada e dirigida por Anne Teresa de Keersmaeker.
Os bilhetes já estão à venda e prevê-se que esgotem o Grande Auditório do CCB. Um espectáculo a não perder ou melhor, a tentar fazer tudo para que isso não aconteça.
Rentrée II
Mais uns nomes a juntar à lista do post anterior em boa hora relembrados por um ditoso email do ilustre JP:
- Massive Attack+Peeping Tom (Coliseu dos Recreios Lisboa,18 de setembro);
- Caetano Veloso (Coliseu dos Recreios Lisboa, 12/13 de Outubro);
- Kurt Wagner, (Santiago Alquimista, 17 de Outubro);
- God is an Austronaut; (Santiago Alquimista, 19 de Outubro).
- Massive Attack+Peeping Tom (Coliseu dos Recreios Lisboa,18 de setembro);
- Caetano Veloso (Coliseu dos Recreios Lisboa, 12/13 de Outubro);
- Kurt Wagner, (Santiago Alquimista, 17 de Outubro);
- God is an Austronaut; (Santiago Alquimista, 19 de Outubro).
27 agosto 2007
Rentrée
Setembro não tarda a chegar anunciando magníficos cartazes para encher a agenda e esvaziar os bolsos. Eis um pequeno apontamento do que para aí vem:
A cinemateca portuguesa vai voltar a apresentar filmes na esplanada ao ar livre, tendo como grandes temas “Filmes da Praia” (quintas feiras); “Filmes sobre filmes” (Sextas feiras) e “Elvis Presley” (Sábados). Aproveitando o mês mais bucólico do ano, a programação arranca com um excepcional ciclo denominado “O Japão e o cinema histórico”, permite ainda dar continuidade ao ciclo dedicado a Roger Corman e anuncia entre outros ciclos temáticos, a rubrica “Chama-me um Táxi” que agrupa um leque irresistível de filmes a não perder. Entre os muitos títulos avançados pela programação de Setembro, destacamos Jonnhy Guitar de Nicholas Ray; O Leopardo de L. Visconti, Les Innocents de A. Téchiné, Mujeres al borde… de Almodôvar, e o muito esperado regresso de Kieslowski com o Breve Filme sobre o Acto de Matar.
A Temporada de Música da Fundação Calouste Gulbenkian anuncia uma série de concertos e recitais sobre o mote dos “Poetas e Mitos do Romantismo” que agrega um conjunto de peças inspiradas pelo o mito de Fausto: Faust de Berlioz, a Sinfonia Fausto de Liszt e Faust de Schnittke.
Para além das obras inspiradas por Goethe ressaltam outros autores, Victor Hugo do Ruy Blas em Mendelssohn, Byron do Childe Harold em Berlioz, Heine nas canções de Schumann, Pushkin no Evgeny Onegin de Tchaikovsky, Tolstoi no Primeiro Quarteto de Janácek, Edgar Allan Poe na inacabada Queda da Casa Usher de Debussy, Hofmannsthal no Cavaleiro da Rosa de Strauss, Verlaine e Apollinaire nas mélodies de Fauré e Poulenc, o leque não poderia deixar de contemplar Verdi que regressa com o seu tremendo Requiem.
Para os amantes das grandes peças sinfónicas segue-se um outro ciclo denominado "Dois Séculos de Música Para Quarteto de Cordas" que anuncia grandes nomes e obras, há também música contemporânea, jazz e a orquestra de Câmara da Europa. Destaque, entre todos estes ciclos, três compositores: Brahms; Tchaikovsky e Bach (Partitas para Violino solo e o Cravo bem Temperado e a maravilhosa alguém- me –arranja- convites? Missa em Si e a Paixão Segundo S. João).
Noutros palcos: David Sylvian vai ao CCB (23/10), Sea and Cake à ZDB e Mark Kozelek ao Santiago Alquimista (a 27 de Outubro), Patti Smith visita o Coliseu dos Recreios (28 de Outubro), Interpol regressa a 7 de Novembro para um concerto no Coliseu e, dez dias depois, Portalegre recebe os Young Gods.
Esqueci alguém?
A Temporada de Música da Fundação Calouste Gulbenkian anuncia uma série de concertos e recitais sobre o mote dos “Poetas e Mitos do Romantismo” que agrega um conjunto de peças inspiradas pelo o mito de Fausto: Faust de Berlioz, a Sinfonia Fausto de Liszt e Faust de Schnittke.
Para além das obras inspiradas por Goethe ressaltam outros autores, Victor Hugo do Ruy Blas em Mendelssohn, Byron do Childe Harold em Berlioz, Heine nas canções de Schumann, Pushkin no Evgeny Onegin de Tchaikovsky, Tolstoi no Primeiro Quarteto de Janácek, Edgar Allan Poe na inacabada Queda da Casa Usher de Debussy, Hofmannsthal no Cavaleiro da Rosa de Strauss, Verlaine e Apollinaire nas mélodies de Fauré e Poulenc, o leque não poderia deixar de contemplar Verdi que regressa com o seu tremendo Requiem.
Para os amantes das grandes peças sinfónicas segue-se um outro ciclo denominado "Dois Séculos de Música Para Quarteto de Cordas" que anuncia grandes nomes e obras, há também música contemporânea, jazz e a orquestra de Câmara da Europa. Destaque, entre todos estes ciclos, três compositores: Brahms; Tchaikovsky e Bach (Partitas para Violino solo e o Cravo bem Temperado e a maravilhosa alguém- me –arranja- convites? Missa em Si e a Paixão Segundo S. João).
Noutros palcos: David Sylvian vai ao CCB (23/10), Sea and Cake à ZDB e Mark Kozelek ao Santiago Alquimista (a 27 de Outubro), Patti Smith visita o Coliseu dos Recreios (28 de Outubro), Interpol regressa a 7 de Novembro para um concerto no Coliseu e, dez dias depois, Portalegre recebe os Young Gods.
Esqueci alguém?
22 agosto 2007
Elusive
Regresso a Lisboa. Há dias que ando adormecida nos olhares que deixo perdidos nas paisagens que me acolheram. Lisboa está anestesiada. O que será que acontece às cidades quando as abandonamos? Seremos reflexo do local que habitamos, a tendência burguesa dos prazeres imediatos e rotinas exaustivas que nos levam à ilusão de realização absoluta?Não me apetece voltar… nem falar dos concertos, nem escrever sobre o que vi, nem descrever o que vivi, não vou anunciar o que gostaria de ver nas salas do costume ainda fechadas para romperam na rentrée. Apetece-me vaguear por aí, acordar cedo, tomar o café naquela esplanada, subir a avenida, permanecer em silêncio no trabalho, faltar às rotinas, esquivar-me aos compromissos semanais, entrar em salas de cinema vazias, ver tudo como se me faltasse o chão e quisesse preencher a minha história com as histórias que revisito.
Gosto de me sentar no café e ouvir as conversas dos outros, ler os mapas dos turistas, sentir-me estrangeira nas ruas que conheço de cor, revisitar os alfarrabistas do bairro, regressar ao Bach, viajar com Brukner, subir o Chiado com a esperança de voltar a sentir o frenesim da cidade, vida em mim. Sangue a correr-me nas veias. Gelei no país da manhã e derreto lentamente no regresso à cidade que me acolhe no Inverno.
Quando se visita a eternidade é tão difícil voltar atrás, não sabemos o que procuramos, por isso, a única solução é viajar…
Desenhei na agenda de Outubro em letras maiúsculas o nome da cidade dos meus sonhos. E para lá me projecto como se estivesse a trair Lisboa. Quero rever-me na encruzilhada das cidades separadas pelo rio cinzento, esquecer-me nos concertos desalinhados, subir torres e perder-me numa língua que não vou decifrar. Não quero desfazer as malas, anseio por ouvir os sinais sonoros no aeroporto, confundir-me no desassossego do vai e vem dos viajantes, beber um café sem identidade numa escala entre cidades que nunca chegarei a conhecer, escutar em várias línguas o último aviso para o embarque inscrito no bilhete que guardo na mochila.
È tão difícil regressar. Espero que Lisboa esteja preparada para me acolher: My destiny lies in the places that set me free…
02 agosto 2007
FÉRIAS
01 agosto 2007
Electrelane - 'To The East'
Adivinhamos Coura '07! E falta um dia to go to "The East".
Bergman e Antonioni
O início da semana fica marcado pela despedida de dois “poetas da tela” Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni, juntemos também um adeus Michel Serrault…É…os poetas estão a despedir-se em silêncio. Os testemunhos familiares afirmam que partiram “com serenidade”, e de que outra forma poderiam partir os os que já cumpriram a missão, aqueles que deixaram obra?
Tinha o hábito de dizer que, a par de alguns cineastas como Sukurov, Mikalkov, Sergei Eisenstein e Andrei Tarkovski, Bergman encarnava a alma russa florescida na Escandinávia.
Dizia-o um poeta das imagens, o transgressor incauto do drama das relações humanas, o violador da Pandora das emoções, o guardião do sétimo selo, que resguarda os segredos do sentir mais fundo, o cantor do intimismo e beleza, um realizador metafísico, o código de Bergman.
Há muitas forma de fazer cinema mas é muito difícil filmar com poesia, e fazê-la brotar em cada cena, a cada segundo, a casa suspiro, em cada olhar, nas mistura das cores, nos silêncios cúmplices, na plenitude do tempo, na inevitabilidade do fim. Comparava Bergman a K. Kieslowsky e julgava-os imortais. Estes cineastas selaram um Pacto com o Universo, com o sentir profundamente humano, e o acordo passava pela cláusula única: eu filmo-Te, nunca me deixarás partir!
Iniciada a viagem, fica a poesia aliada à vontade imperiosa de rever Gritos e Sussurros, A Flauta Mágica, O Silêncio, Fanny e Alexander, Segredos das Mulheres, o sublime Persona, o Sétimo Selo. Bergman sempre foi inspirado no teatro, e como se diz nas lides cénicas, uma ovação de pé!
Cá por casa roda uma compilação de composições de Z. Preisner, e alguns formatos VHS vão ser transpostos para outros suportes mais intemporais.
Antonioni o mestre italiano que partilhava a o pódio com F. Fellini e de R. Rossellini, também saiu de cena, deixando-nos a herança Blowup, muito bem revisitada por cineastas como Q. Tarantino. Mas legou-nos muito mais que isso, Antonioni fez voltar de página do dogma neo-realista e dos melodramas multipessoais. Foi o cineasta dos eclipses, o embaixador do cinema moderno em diálogo constante com a fotografia, a pintura e a literatura.
Sobre a obra de Antonioni cito Orson Welles: “Não gosto de me alongar nas coisas. Antonioni dá um plano aberto de alguém andando pela rua, da cabeça aos pés. E você pensa: Bom, ele não vai levar essa mulher até o fim da rua. Mas leva. Aí a mulher some e você continua olhando a rua, depois de ela ter sumido".
Venha um grande plano de Antonioni a toda a sua obra, um grande plano de Antonioni a toda a obra de Bergman, pois os espectadores continuarão a olhar para a tela depois da imagem ter adormecido!
Sobre a obra de Antonioni cito Orson Welles: “Não gosto de me alongar nas coisas. Antonioni dá um plano aberto de alguém andando pela rua, da cabeça aos pés. E você pensa: Bom, ele não vai levar essa mulher até o fim da rua. Mas leva. Aí a mulher some e você continua olhando a rua, depois de ela ter sumido".
Venha um grande plano de Antonioni a toda a sua obra, um grande plano de Antonioni a toda a obra de Bergman, pois os espectadores continuarão a olhar para a tela depois da imagem ter adormecido!
Etiquetas: Cinema
Michelangelo Antonioni (1912-2007)
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