29 maio 2009

 

Dose tripla na Zdb

Jonh Maus
Wavves
Youthless
Às 23h na Zdb.
Adaptação: "Um_calor_do_caraças _para_ ir _ao_aquário_ mas_vou_sessions!

# publicada por Chandra @ 5/29/2009 0 Comentários
 

A face feminina de Deus

É ainda com as mãos dormentes que volto a tentar escrever sobre o concerto de Rokia Traoré. Não sei escrever sobre esta Mulher! A verdade é que é impossível relatar muito mais do que fragmentos do que aconteceu ontem no Lux. Rokia tem olhos doces, “la courage de rien faire”, um sorriso Zen, as mãos são belas, belíssimas! As mãos de Rokia carregam na ponta dos dedos os traços do Mali, os trilhos da música, as tramas da humanidade, a textura dedilhada da guitarra.
São mãos de mulher africana.
Esta Mulher é um fenómeno muito sério do que se faz na música de hoje e não só na chamada "música do mundo", porque Rokia é a voz do Mundo.
Assim que entrou em palco não mais parei de sorrir. A alma de Timbucktu consegue incendiar qualquer palco que pise. Esta mulher é rastilho de pólvora, um dos maiores fenómenos humanos, musicais e vocais que já testemunhei. Há duas semanas em jeito de impossível comparação com outra voz do mundo, tentei comparar o timbre e textura vocal de Rokia a voz de Lila Downs. Talvez levada pelos arrebatamentos do belo concerto de La Tequilera, metaforizei a génese das duas vozes, explicando as diferenças numa espécie de "processo de feitura". A voz de Lila soa e acontece como quem trinca um rebuçado, enquanto a voz de Rokia é chocolate negro que se derrete lentamente na boca. Disparate... e que frases meio parvas! É que depois de ontem, depois de rever Rokia, descobri que a imagem era, no mínimo, desnecessária.
Quem precisa de sabores, quando afinal o que nos alimenta é esta energia, este cheiro a terra, esta clorofila humana, que emerge do nosso sentir do mundo (?)... da música do mundo. E não falo na World Music, não estou referir categorias, mas falo da música deste mundo, do ritmo do universo, do compasso da terra, do diapasão que vibra em cada continente, dos ritmos latinos, asiáticos, africanos. Caramba a música do mundo é seiva das árvores, é o sangue que nos corre nas veias, como é possível ficar indiferente?
Ontem rebentou um vulcão por baixo dos meus pés e dancei como se tivesse nascido nómada do deserto, com se nunca tivesse pertencido a continente algum, vendi a alma ao mundo e empenhei-a por muito tempo.
E confesso, pois ninguém viu, comovi-me.
Talvez a Rokia tenha sentido o mesmo sal dos olhos. É que para além de ser uma voz do Mundo, Rokia ama-nos, canta-nos e comove-se connosco. A proximidade do palco permitiu ver, nos olhos da Senhora África, no imenso planeta da retina negra, um prenúncio de lágrima.
Parece que relato uma experiência mística, mas não! Já me deixei dessas merdas! O que é humano não é místico. E Rokia é das gentes, é da gente, é do mundo, omnes gentes, uma de nós. Não há nada de místico no pulsar da terra, no sangue que nos corre nas veias. Os místicos, eremitas, ascetas e cépticos (já para não falar nos "cepos" que teimam em não dançar) não comungam a religião da Música. Nós os mestiços, esta mescla de gente que se equilibra na música e dela se alimenta, não nos limitamos a ficar parados. Cantamos, dançamos, gritamos, somos peregrinos e nómadas em nome da Música. A Música é linguagem que nos une em equilíbrio. É a religião da Rokia e de outros tantos que lhe venderam a alma. Falo por mim. Se já estava convertida à religião da Música ontem, no ritual da sacerdotisa, jurei e fiz os votos.

# publicada por Chandra @ 5/29/2009 0 Comentários

28 maio 2009

 

Kounandi



Sem exageros, hoje vou voltar a ouvir uma das melhores vozes do mundo!
Está no top das minhas vozes favoritas, chamam-lhe Diva do Mali, mas é mais que isso, é terra viva, voz do mundo! Na sua passagem pelo FMM de Sines'08 Rokia conseguiu deixar-me sem palavras, sem chão, sem terra, na alma dos povos nómadas, na pele dos índigenas. Hoje não espero menos que isso.
Conto as horas. Vai ser um dia difícil de passar. Kounandi não me sai da cabeça!


# publicada por Chandra @ 5/28/2009 0 Comentários

27 maio 2009

 

La lengua qui tiene música

Enquanto sonho o regresso à América Latina, em preparação do roteiro...
Hoje às 21h30m na Cinemateca Portuguesa, Sala Dr.º Félix Ribeiro, La Teta Asustada, de Claudia Llosa, Peru, 2009

"Los indios son en realidad españoles disfrazados; no sólo su estilo sino todas sus ideas son europeas. Cabe suponer que es Garcilaso quien habla por ellos y los hace exponer sus propias opiniones sobre el honor, la fama, la lealtad, el valor, la religión natural, tal vez las injusticias de la conquista(...)
El Inca está muy orgulloso de ser indio, y se jacta a menudo de hablar la lengua de su madre, lo que, subraya muchas veces, le da una superioridad —una autoridad— para hablar de los incas sobre los historiadores y cronistas españoles que ignoran, o hablan apenas, la lengua de los nativos. Y dedica muchas páginas a corregir los errores de traducción del quechua que advierte en otros cronistas a quienes su escaso o nulo conocimiento del runa-simi conduce a error. Es posible, sin embargo, que este quechua del que se siente tan orgulloso y que se jacta de dominar, en verdad se le estuviese empobreciendo en la memoria por las escasas o nulas ocasiones que tenía de hablarlo. Hay, a ese respecto, en La Florida del Inca, una dramática confesión, comparando su caso con el del soldado español Juan Ortiz, cautivo por más de diez años de los indios de los cacicazgos de Hirrihigua y de Mucozo y que, cuando van a rescatarlo unos españoles dirigidos por Baltasar de Gallegos, descubre que ha olvidado el español y apenas puede balbucear "Xivilla, Xivilla" para que lo reconozcan. Dice el Inca que, al igual que Juan Ortiz entre los indios, por no tener él en España "con quien hablar mi lengua general y materna, que es la general que se habla en todo el Perú... se me ha olvidado de tal manera... que no acierto ahora a concertar seis o siete palabras en oración para dar a entender lo que quiero decir" (La Florida del Inca, II, I, VI). El idioma en el que dice todo esto no es el quechua sino el español, una lengua que este mestizo cuzqueño domina a la perfección y maneja con la seguridad y la magia de un artista: una lengua a la que, por sus ancestros maternos, por su infancia y juventud pasadas en el Cuzco, por su cultura inca y española, por su doble vertiente cultural, él colorea con un matiz muy personal, ligeramente exótico en el contexto literario de su tiempo, aunque de estirpe bien castiza. Hablar de un estilo mestizo sería redundante, pues todos lo son: no existe un estilo puro, porque no existen lenguas puras. Pero la de Garcilaso es una lengua que tiene una música, una cadencia, unas maneras impregnadas de reminiscencias de su origen y condición de indiano, lo que le confiere una personalidad singular. Y, por supuesto, pionera.(...)"


Mario Vargas Llosa, El Inca Garcilaso y la lengua general, Letras Libres (México) n°37, Enero del 2002.

# publicada por Chandra @ 5/27/2009 0 Comentários

21 maio 2009

 

Johnny Guitar


RIP, João Bérnard da Costa

# publicada por Chandra @ 5/21/2009 0 Comentários

19 maio 2009

 

"Não existe pecado abaixo do Equador"

Uma parceria entre a Casa da América Latina e a Cinemateca Portuguesa leva às salas da Barata Salgueiro vários filmes provenientes de países da América Latina.
De 27 de Maio a 3 de Junho decorre um Ciclo de nove filmes realizados nos últimos quatro anos, que ilustram a variedade do cinema realizado no Peru, em Cuba, no México, na Argentina e no Brasil, com ficções e documentários.
O Ciclo será inaugurado com La Teta Asustada, baseado no mito andino de que as mulheres estupradas durante a violência política no Peru traumatizavam seus filhos ao dar-lhes o seio para mamar. O filme, que arrancou o Urso de ouro no último Festival de Berlim, mistura antigas tradições culturais andinas com a brutalidade causada pelos movimentos de guerrilha recentes e a sua repressão. A protagonista, cuja mãe fora violada, herdou no leite materno (segundo uma tradição inca, o que explica o título) o medo à vida. Mas depois da morte da mãe, a mulher saberá lutar.
Esta longa metragem justifica, desde já, a corrida à bilheteira da cinemateca e a previsão, no próximo dia 29, de uma travessia arriscada pela cidade de Lisboa de forma a reservar um dos melhores lugares da Sala Dr. Félix Ribeiro.
O Ciclo que se inicia com o trabalho da peruana Cláudia Llosa, prosseguirá com o mais recente filme de Arturo Ripstein, um documentário cubano e um filme de Fernando Eimbecke. Destacamos também a oportunidade de assistir a La Cienága (2002) de Lucrécia Martel, realizadora de " A mulher sem cabeça" e que encarna um dos melhores exemplos do moderno cinema argentino independente.
Um ciclo absolutamente indispensável.
Aqui fica o Programa.

Etiquetas: América Latina, Cinema, México


# publicada por Chandra @ 5/19/2009 0 Comentários

17 maio 2009

 

La iguana


Lila Downs volta a Lisboa. Às 22h no Casino de Lisboa, para matar saudades do México!

Etiquetas: México


# publicada por Chandra @ 5/17/2009 0 Comentários

16 maio 2009

 

Chouinard ou o mito sobre a arte de criar.

Depois dos Sombreros de Philippe Decouflé (15e16 de Maio), o CCB importa de Marie Chouinard. Em Novembro. Em Lisboa.

Orphée et Euridice: " Des corps pulsés par des forces souterraines qui les traversent de part en part. Un univers débridé, où le grotesque le dispute à l’Éros. Orphée et Eurydice est une oeuvre puissante, excessive, habitée de vagues d’humour. Fascinée par le corps jusque dans ses manifestations les plus intimes et les plus secrètes, la chorégraphe Marie Chouinard a conçu une « danse exploréenne » qui ose le dérèglement du corps, la démesure, portée par des interprètes d’un engagement total.
Cette danse démone expose les sources viscérales de la création. Souffles, cris, voyelles, consonnes s’extirpent de l’organique telle une infra-langue puisée au tréfonds du corps.
Pas un mythe sur l’amour. N’y pas chercher une seule Eurydice, un seul Orphée ; ils sont multiples, en nombre et en genre. Entre harmonie et déchirement, drôlerie et cruauté, les forces pulsionnelles du vivant travaillent des corps possédés. "

# publicada por Chandra @ 5/16/2009 0 Comentários

14 maio 2009

 

White Light Voice


Love the coal
Love the way you're waiting
I love your kind patience
Dust and water, water and dust
Water and dust

Did you think I'd leave you here
Forever?
Dust and water, water and dust
Water and dust

How long can dust wait?
Ask the moon
But ask him soon
Ask him soon


Dust and water, water and dust
Water and dust

Water and Dust,
water and dust
Antony & the Jonhsons, The Crying Light, Dust and Water


A duas horas de subir ao palco do Coliseu...

# publicada por Chandra @ 5/14/2009 0 Comentários

11 maio 2009

 

Medeia Gigante

Filha de Eurípedes, personagem de Pasolini, divinizada por Maria Callas, eternizada por Bibi Ferreira, musicada por L. Cherubini e adaptada ao teatro musical, "Medeia" é mais do que um ícone, uma deusa ou um estereótipo, é o grito da alma feminina. E quem melhor que Chico Buarque para recuperar estes ecos?

Em 1975, Chico Buarque e Paulo Pontes adaptaram a tragédia "Medeia" de Eurípedes à realidade brasileira, uma realidade dominada pela censura e repressão ideológica. De volta aos palcos numa versão actual, Gota d'Água prova ser um texto poderoso com uma Medeia gigante. Como já se escreveu neste espaço a propósito da recuperação dos temas clássicos ao Bel Canto "será que a ópera existe e subsiste até aos nossos tempos para que exista alguém em palco a gritar por nós?". Depois de um fim de semana a "digerir" a Gota d'Água, permanece a questão: será a Beatriz de Chico Buarque e de Edu Lobo esta nova mulher de Atenas? Uma coisa é certa, esta "nova Medeia" continua a ser a "embaixatriz" dos recantos mais obscuros da alma feminina. Há mulheres que cantam, gritam e rasgam a alma, a voz e o peito. A "Medeia de Eurípedes" encontrou uma alma para habitar e renasce sempre sobe ao palco. O nome dela é Izabella. E é Enorme!

Coloque tudo na bandeja.
Sente-se, chore e veja.
Arrancam o peito e soltam o pranto,
Rasgam-se em gritos, lágrimas e mitos,
É Medeia de Eurípedes,
Na ópera do Pai de Santo.
Raios e trovões na voz da Callas.
Ensaios, rojões, sambas e choros,
oráculos da favela e dos morros.
Enchem-se de penas, as almas helenas,
Abram alas às mulheres de Atenas!
Vamos teme-las, vê-las, chorá-las e sê-las.
E cantam seus prantos,
latinas e gregas em tamanhos encantos.
Onde a alma se rasga,
onde a voz se parte
há veneno, há morte,
amar é foda, amar é arte,
é medo de ter ou ânsia de perder.
Será a morte vingança, desespero ou salvação?
Será o amor criança, fedelho, filho ou perdição?
Medeia é fogo, inferno, é salvação
É veneno e mágoa
É Mulher, por isso, presta atenção, faça não…

# publicada por Chandra @ 5/11/2009 0 Comentários

09 maio 2009

 

Convite

Hoje às 21h na Basílica dos Mártires ao Chiado. Concerto Música Sacra Vocal do Século XIX e XX. Entrada livre.
Programa

Maurice Duruflé (1902-1986): Quatre motets sur des thèmes grégoriens de:
Ubi caritas
Tota pulchra es
Tu es Petrus
Tantum ergo

Eurico Carrapatoso (1962): Responsos da lápide de
Quatro motetes da Páscoa

Tristis est anima mea
Tenebræ
O vos omnes
Angelus Domini

Bogoroditse Devo .
Arvo Pärt (1935)
O magnum mysterium .
Morten Lauridsen (1943)
Bogoroditse Devo .
Sergei Rachmaninov (1873-1943)
Locus iste . Anton Bruckner (1824-1896)
Christus factus est . Anton Bruckner
Os justi . Anton Bruckner
Abendlied . Josef Rheinberger (1839-1901)

Direcção: Pedro Teixeira

# publicada por Chandra @ 5/09/2009 0 Comentários

08 maio 2009

 

Hoje é a Gota d'água


Já lhe dei meu corpo, minha alegria,
Já estanquei meu sangue, quando fervia,
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta, pro desfecho da festa
Por favor
Deixa em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não,
Pode ser a gota d'agua,
Deixa em paz meu coração,
Que ele é um pote até aqui de mágoa,
E qualquer desatenção, faça não,
Pode ser a gota d'agua !
Já lhe dei meu corpo, minha alegria,
Já estanquei meu sangue, quando fervia,
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta, pro desfecho da festa
Deixa em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não,
Pode ser a gota d'agua

Hoje, às 21h no CCB.

# publicada por Chandra @ 5/08/2009 0 Comentários

06 maio 2009

 

Feira ma non troppo

Depois do malfadado diploma, saturada dos pareceres dos outros, relatórios alheios e problemáticas específicas que por sinal nem são as minhas, resolvi largar a secretária pouco minutos depois das seis da tarde. Subi a Avenida e rumei à Feira do Livro de Lisboa. Procurava as edições da Lonely Planet. Traçara a visita à Feira com firmes intenções nas opções de compra: evitar desbaratos e comprar apenas um bom guia de viagens!
A "Casa das letras" já não distribui a Lonely Planet e não encontrei relatos da rota pretendida. Acabei por descurar as boas intenções. E assim se perde a cabeça na Feira do Livro. De Sepúlveda a Vargas Llosa, aos alfarrábios quase podres de Rilke e por fim, o último Patrick Modiano que já se gasta nas horas mais lentas da noite.
Mas a Feira do Livro de Lisboa é mais do que uma tentação, é um ritual. É o chá fresco nos fins de tarde, a leitura bucólica na relva lateral, é perfume da primavera lisboeta, o rio lá ao fundo. É Maio no seu esplendor, o cheiro a massa frita polvilhada com açúcar e canela, é a recordação dos saudosos dois dedos de prosa com o Nobel nosso que nos “escreve de um país distante”.
Ultimamente tenho reparado que há mais gente a ler na relva dos jardins de Lisboa, mais gente a ler no metro, nas esplanadas, nos intervalos das horas de ponta. Gente feliz com livros, ou gente que sonha poder comprá-los. Artes marciais ou o tradicional desembaraço do português, pois a verdade é que a generalidade dos herdeiros de Pessoa estão longe de poder suportar esse luxo! Falo do IVA e outros preços, dos gastos que não se podem agendar em detrimento dos bens essenciais.
Será que ler um livro é um acto estético, um luxo, um capricho, uma mania de elites, o charme discreto do pequeno burguês? Não será por certo, mas os preços assim o indicam. E seria supostamente numa Feira do Livro que se deveria inverter essa tendência!
Feira ma non troppo, é que nas feiras e mercados o que se comercializa é, por natureza, a preço de feira.
Na Feira do Livro, tirando as excepções dos livros do dia com 40% de desconto, poucas excepções dão desconto aos preços praticados. Será a literatura um luxo de elites? Existirá uma literatura de classes ou a literatura de géneros?Lá diz Ian Mcewan: “when women stop reading, the novel will be dead”.
Hoje vou resistir a passagem pelo Marquês, sou obrigada a inverter a rota, vou chatear o Camões.
Ainda assim, vale a pena ir à Feira. É que Lisboa é nossa, o Parque é livre e o ar é de todos!

# publicada por Chandra @ 5/06/2009 0 Comentários

04 maio 2009

 

I Want some More


Depois da fantástica descoberta dos Black Keys (gracias VJ) eis o grande vício de 2009 (gracias JB). Dan auerbach a"natural born boogie"!

Etiquetas: Discos


# publicada por Chandra @ 5/04/2009 2 Comentários

03 maio 2009

 

Curtas sobre uma noite de Maio.

O Festival Internacional de Cinema transforma a velha Lisboa na Lisboa indie com tudo o que de bom e mau o estrangeirismo consegue importar.
Mas ontem Lisboa estava particularmente apetecível, espraiando-se ao sol de portas abertas à Liberdade, ao Castelo que a vela e ao rio adormecido que a transpira.
A escala da noite começou com um belíssimo documentário sobre a segunda passagem Johnny Cash por Folsom Prison, em Janeiro de 1968 ano de luta por uma sociedade mais justa. Por falar em justiça social, El Olvido o documentário de Heddy Honigmann merecia, no mínimo, uma menção honrosa. Trata-se de um poderoso e parcial trabalho sobre a pobreza extrema na América Latina, sobre a fome, a miséria e a corrupção que se esquecem na nação do Sol, no continente escondido, olvidado em detrimento de outros “condóminos” da América. Felizmente, à saída da sessão e depois de conhecer os premiados deste indie’ 09, constato que Los Herederos foi galardoado com o prémio da Amnistia Internacional.
A noite termina com um gostinho a Mogwai e Low.
O documentário de Vincent Moon sobre os Mogwai apenas tem o mérito de nos fazer recordar um dos melhores concertos que o ano de 2009 registou. Verdade seja dita, se o ano de 2009 tem sido humilde em matéria de grandes concertos, a passagem dos escoceses em Fevereiro último, deixou provas irrefutáveis de que os Mogwai são ainda uma “banda” sólida, musculada e alicerçada em material sonante que dificilmente se documenta no formato adoptado por Vicent Moon.
A confirmar que o “rockumentário” não tem sido uma forma muito feliz, sublinhamos o documentário de David Kleijwegt sobre os Low de Alan Sparhawk e Mimi Parker.
Trata-se de um trabalho notável sobre uma das bandas mais interessantes que a terra do profeta Mórmon viu nascer nos últimos tempos. You May Need a Murderer, remete-nos para o arrebatador Drums & Guns mas é mais do que um documentário sobre música. Fala-nos de uma América crua, da comunidade da igreja cristã restauracionista, apresenta-nos a vida do casal Alan e Mimi e seus filhos Cyrus e Holli. Fala-nos de delírios, de fé, de um amor estranho, da loucura, inocência e todo o desconforto que acompanha este documentário remete para o cinema de Gus Van Sant.
Alan e Mimi são casados em matrimónio, na fé, mas essencialmente nas suas vozes. E que vozes! Mas o fantasma está sempre presente, é pois a letra de Murderer que encarna a doutrina do documentário. E Alan confessa: “a música é a licença que permite que tudo não tenha de estar sempre na ordem”. Haja música dos Low… por muito, muito tempo.
Assim foi, depois disto não havia pachorra para o Maxime.
Lisboa é tão mais bonita quando as noites estão quentes.

# publicada por Chandra @ 5/03/2009 0 Comentários

02 maio 2009

 

Canción del elegido


El Olvido, Heddy Honigmann
IndieLisboa'09, S. Jorge 21h30

Hoje no cinema S. Jorge, entre as duas sessões do Indiemusic, este El Olvido de Heddy Honigmann. Mais um documentário que promete estar ao nível do novo cinema argentino e de outras pérolas cinematográficas que o Indie'09 nos fez chegar, retratando as terras latinas da américa.
Como canta Silvio Rodrigues:


# publicada por Chandra @ 5/02/2009 0 Comentários

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