25 janeiro 2007
A Náusea
Ontem aconteceu-me uma cena insólita.
Tinha combinado um café, ao fim da tarde na Fundação Calouste Gulbenkian, com uma coleguinha que precisava de “uns apontamentos para umas aulas” favores…. Quando cheguei aos jardins da Fundação e perante a demora de Sua Excelência, sentei-me no anfiteatro ao ar livre aproveitando os restos de sol de Inverno e livro que me acompanhava.
No decurso da primeira página senti a intensa e desagradável sensação de estar a ser observada pelo tipo que se sentava nos degraus do lado. Não olhei, fiquei na minha. Escutava os fragmentos que guardo na caixinha de música, e continuei a minha leitura como se estivesse alheia àquele olhar invasivo e… parvo.
Mas a coisa não ficou por ali. Enquanto vasculhava o telemóvel para verificar as horas e eventuais mensagens de última hora, apercebi-me que a criatura não só me mirava, como sorria por mim. Primeira náusea.
Mas, na boa, a vida tem destas coisas, e continuei a leitura. E eis que aconteceu o que mais temia: o tipo dirigia-se na minha direcção. Gelei. Segunda náusea: ele sentou – se a meu lado. Terceira náusea.
O ser humano que se abeirava da minha pessoa ousou bater insistentemente com o dedo indicador no meu ombro direito. Quarta e quinta náusea. Muito lentamente como quem se prepara o golpe mortífero, tirei os headphones, subi os olhos e fitei-o. Abrindo uma bocarra adornada por uma dentadura hedionda o germe falou: “ Estás sozinha?”
Agora preciso fazer uma pausa. Conan o Rapaz do Futuro, lembram-se?
Era lindo vê-lo saltar do 25º andar e cair no chão com os olhos arregalados, os dedos dos pés bem abertos, um grito de guerreiro adolescente, os punhos cerrados e, no segundo seguinte, vê-lo partir a cara do vilão com uma pantufa espetada nas fuças.
Por segundos, todo o meu universo se resumiu a uma página A4 de banda desenhada. Heróis da Marvel, Sin City, os mais temíveis guerreiros do mundo, o universo dos raios ultra poderosos; o brilho cintilante nos olhos quadrados dos heróis justiceiros, o som agudo e metálico das espadas castrantes.
E foi nesse breve momento que lamentei ter passado a primeira infância a ler livros da Anita! Optei por ser delicada, levantar-me em silêncio, afastar-me do Anfiteatro, do vilão e sentar-me bem longe. “Anita vai à Gulbenkian”, pensei! Uns minutos depois, o energúmeno já estava novamente a uns metros de distância. Mas tudo bem, era só seleccionar o tema mais agressivo no leitor de MP3, fechar os olhos e imaginar que lhe partia a boca com um pau.
Xiça – pensei. Logo eu! É nestas alturas que dava jeito passar a tipa da Galp, carregando aquela grosma de ½ kg.
27.º Náusea: ele estava sentado a meu lado! Tirei os phones ainda a tempo de ouvir o elegante “piropo” e que a criatura balbuciava entre dentes.
O que se passa com esta gente? Será que já começaram ao fechar os hospitais psiquiátricos? Terão havido fugas do Zoo? Os laboratórios de génetica terão deixado cair os tubinhos de ensaio?
Reflecti sobre o assunto enquanto abandonava um dos mais belos jardins da cidade de Lisboa. A culpa é da Cartilha de João de Deus e da leitura dos livros da Jane Austen! Mas superei o legado histórico: nunca me soube tão bem mandar alguém à merda! As palavras existem par a ser utilizadas.
Já agora a coleguinha nunca chegou a aparecer! É caso para dizer… Sra. Dr.ª: vá bardamerda!
Tinha combinado um café, ao fim da tarde na Fundação Calouste Gulbenkian, com uma coleguinha que precisava de “uns apontamentos para umas aulas” favores…. Quando cheguei aos jardins da Fundação e perante a demora de Sua Excelência, sentei-me no anfiteatro ao ar livre aproveitando os restos de sol de Inverno e livro que me acompanhava.
No decurso da primeira página senti a intensa e desagradável sensação de estar a ser observada pelo tipo que se sentava nos degraus do lado. Não olhei, fiquei na minha. Escutava os fragmentos que guardo na caixinha de música, e continuei a minha leitura como se estivesse alheia àquele olhar invasivo e… parvo.
Mas a coisa não ficou por ali. Enquanto vasculhava o telemóvel para verificar as horas e eventuais mensagens de última hora, apercebi-me que a criatura não só me mirava, como sorria por mim. Primeira náusea.
Mas, na boa, a vida tem destas coisas, e continuei a leitura. E eis que aconteceu o que mais temia: o tipo dirigia-se na minha direcção. Gelei. Segunda náusea: ele sentou – se a meu lado. Terceira náusea.
O ser humano que se abeirava da minha pessoa ousou bater insistentemente com o dedo indicador no meu ombro direito. Quarta e quinta náusea. Muito lentamente como quem se prepara o golpe mortífero, tirei os headphones, subi os olhos e fitei-o. Abrindo uma bocarra adornada por uma dentadura hedionda o germe falou: “ Estás sozinha?”
Agora preciso fazer uma pausa. Conan o Rapaz do Futuro, lembram-se?
Era lindo vê-lo saltar do 25º andar e cair no chão com os olhos arregalados, os dedos dos pés bem abertos, um grito de guerreiro adolescente, os punhos cerrados e, no segundo seguinte, vê-lo partir a cara do vilão com uma pantufa espetada nas fuças.
Por segundos, todo o meu universo se resumiu a uma página A4 de banda desenhada. Heróis da Marvel, Sin City, os mais temíveis guerreiros do mundo, o universo dos raios ultra poderosos; o brilho cintilante nos olhos quadrados dos heróis justiceiros, o som agudo e metálico das espadas castrantes.
E foi nesse breve momento que lamentei ter passado a primeira infância a ler livros da Anita! Optei por ser delicada, levantar-me em silêncio, afastar-me do Anfiteatro, do vilão e sentar-me bem longe. “Anita vai à Gulbenkian”, pensei! Uns minutos depois, o energúmeno já estava novamente a uns metros de distância. Mas tudo bem, era só seleccionar o tema mais agressivo no leitor de MP3, fechar os olhos e imaginar que lhe partia a boca com um pau.
Xiça – pensei. Logo eu! É nestas alturas que dava jeito passar a tipa da Galp, carregando aquela grosma de ½ kg.
27.º Náusea: ele estava sentado a meu lado! Tirei os phones ainda a tempo de ouvir o elegante “piropo” e que a criatura balbuciava entre dentes.
O que se passa com esta gente? Será que já começaram ao fechar os hospitais psiquiátricos? Terão havido fugas do Zoo? Os laboratórios de génetica terão deixado cair os tubinhos de ensaio?
Reflecti sobre o assunto enquanto abandonava um dos mais belos jardins da cidade de Lisboa. A culpa é da Cartilha de João de Deus e da leitura dos livros da Jane Austen! Mas superei o legado histórico: nunca me soube tão bem mandar alguém à merda! As palavras existem par a ser utilizadas.
Já agora a coleguinha nunca chegou a aparecer! É caso para dizer… Sra. Dr.ª: vá bardamerda!
Comentários:
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Lindo! Já estou a imaginar a tua cara:)é como daquela vez, no BA quando o tipo começou a fumar pelo nariz e tu ias vomitando... que saudades do Brito!
Gostei de ler sim senhor... beijos JP
Gostei de ler sim senhor... beijos JP
Ei eu estava lá nessa noite!!! Lembro-me do Brito para o resto da vida! Já agora, seria lindo ler aqui um relato dessa maravilhosa experiência no BA.
Nico
Nico
Xiça isso traria matéria para um novo Blog:) acho que o Brito já morreu. Deve ter sido devorado por piolhos:)
Fessoa, tou farta de me rir com a tua história! Assim, como assim, podias ter aproveitado a oportunidade para aprofundar o nosso estudo sociológico... Há com cada um?!
Beijinhos
Beijinhos
Lol, lol, lol
Tu já devias saber que os jardins da FCG estão minados de carochos! Ai o que eu me vou rir quando te encontrar! É verdade: "Estás sózinha?"
Miguel
Tu já devias saber que os jardins da FCG estão minados de carochos! Ai o que eu me vou rir quando te encontrar! É verdade: "Estás sózinha?"
Miguel
Hei treisa!
nada de gozar com os meus encontros amorosos! Eheheh!!ainda por cima esqueceste-te da parte introdutória ao engate: 'Dáma, o 29 já pássou?' como vês, não há carochos só na Gulbenkian!! Antes de irem para la, passam pela estação de Benfica :P
Leonor
nada de gozar com os meus encontros amorosos! Eheheh!!ainda por cima esqueceste-te da parte introdutória ao engate: 'Dáma, o 29 já pássou?' como vês, não há carochos só na Gulbenkian!! Antes de irem para la, passam pela estação de Benfica :P
Leonor
Sim o maior carocho de Benfica tem o hábito de coçar os cascos ali numa árvore perto da minha rua. Epá com tanta conversa desta já tenho saudades do Brito!
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