27 abril 2007

 

O Fim da História e o Último Homem?

Cito o título do famoso livro de Francis Fukuyama para levantar as seguintes considerações: quando separamos a arte dos fenómenos políticos, estaremos a produzir um autismo criativo ou teremos chegado verdadeiramente ao fim da história? Será que a história pode alguma vez ter um fim? A questão ganha igual pertinência se questionarmos sobre o verdadeiro conceito de Arte e ou de Arte Contemporânea. No momento da resposta, a questão já faz parte de uma História, ao classificarmos – Arte - como um qualquer fenómeno contemporâneo estamos a retirar-lhe, por inerência essa natureza.
Esta semana celebrou-se um evento nacional simultaneamente histórico e revelador de algumas das mais importantes expressões culturais e artísticas em Portugal, falo da Revolução de Abril.
E eis o início da história: ao folhear o programa de uma das mais admiráveis Fundações Culturais da belíssima cidade do Porto constatei que o programa inclui, entre muitas ofertas, a possibilidade de assistir a excelentes conferências sobre as questões mais actuais da ciência política. Lamentavelmente, no dia em que se comemora o nascimento do Estado de Direito Democrático em Portugal, sou confrontada com a seguinte observação: “Eu não vou lá para ouvir falar de política, mas sim para ver arte!”
A pergunta que proferi, em tom jocoso foi: “e onde é que estavas no 25 de Abril?” Ao que o jovem responde: “estou-me nas tintas para o 25 de Abril”!
Reconheço toda a legitimidade democrática nas opções de cada um dos cidadãos deste país, o que não aceito é que um jovem que se diz “apreciador de Arte” não me consiga descrever o que efectivamente se passou no 25 de Abril de 1974 e, mais grave que isso, se mostre profundamente desinteressado no tema.
Se não fosse esta data provavelmente hoje ainda estaríamos a celebrar a Páscoa nas Filipinas ou a gozar férias de Verão em Guantanamo Bay; Serralves talvez não existisse e Arte talvez não fosse assim tão livre. Já dizia Henry Cartier Cartier Bresson: “Photography is nothing- its life that interests me”. A propósito da maravilhosa junção da arte da fotografia com fenómenos políticos, eis a viagem pela galeria fotográfica da Opendemocracy.

# publicada por Chandra @ 4/27/2007
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