22 agosto 2007
Elusive
Regresso a Lisboa. Há dias que ando adormecida nos olhares que deixo perdidos nas paisagens que me acolheram. Lisboa está anestesiada. O que será que acontece às cidades quando as abandonamos? Seremos reflexo do local que habitamos, a tendência burguesa dos prazeres imediatos e rotinas exaustivas que nos levam à ilusão de realização absoluta?Não me apetece voltar… nem falar dos concertos, nem escrever sobre o que vi, nem descrever o que vivi, não vou anunciar o que gostaria de ver nas salas do costume ainda fechadas para romperam na rentrée. Apetece-me vaguear por aí, acordar cedo, tomar o café naquela esplanada, subir a avenida, permanecer em silêncio no trabalho, faltar às rotinas, esquivar-me aos compromissos semanais, entrar em salas de cinema vazias, ver tudo como se me faltasse o chão e quisesse preencher a minha história com as histórias que revisito.
Gosto de me sentar no café e ouvir as conversas dos outros, ler os mapas dos turistas, sentir-me estrangeira nas ruas que conheço de cor, revisitar os alfarrabistas do bairro, regressar ao Bach, viajar com Brukner, subir o Chiado com a esperança de voltar a sentir o frenesim da cidade, vida em mim. Sangue a correr-me nas veias. Gelei no país da manhã e derreto lentamente no regresso à cidade que me acolhe no Inverno.
Quando se visita a eternidade é tão difícil voltar atrás, não sabemos o que procuramos, por isso, a única solução é viajar…
Desenhei na agenda de Outubro em letras maiúsculas o nome da cidade dos meus sonhos. E para lá me projecto como se estivesse a trair Lisboa. Quero rever-me na encruzilhada das cidades separadas pelo rio cinzento, esquecer-me nos concertos desalinhados, subir torres e perder-me numa língua que não vou decifrar. Não quero desfazer as malas, anseio por ouvir os sinais sonoros no aeroporto, confundir-me no desassossego do vai e vem dos viajantes, beber um café sem identidade numa escala entre cidades que nunca chegarei a conhecer, escutar em várias línguas o último aviso para o embarque inscrito no bilhete que guardo na mochila.
È tão difícil regressar. Espero que Lisboa esteja preparada para me acolher: My destiny lies in the places that set me free…
Comentários:
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Xana isso deve ser porque ainda não encontraste o carro;) lol, sim é aquele vermelho! Eu tenho saudades das noites "até ao fim"!
Ah! Visitar a eternidade é esféctacular!!!... Também curto bués rumar ao infinito... :p
Fessoa anónima, fessoal e intransmissível como o BI
Fessoa anónima, fessoal e intransmissível como o BI
Falhaço! Eu sabia que irias reagir... ele há fessoas que se ficam pelas afresentações. Estas frases que parafraseaste são um remake das rubricas no saudoso fórum EA, ou Momentos RD revisitados. Que nojo! Espera vou entalar os dedos numa porta e já venho!
Filha estou preparada para te acolher. Deixa-te de merdas e dá à costa pá!
Ass: Lisboa [ou prefres ir para o Porto?;)]
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