08 setembro 2008
Vale do México
"O dia desdobra o seu corpo transparente. Atado à pedra solar, a luz bate-me com seus grandes martelos invisíveis. Não sou mais do que uma pausa entre duas vibrações: o ponto vivo, o agudo, imóvel ponto de interesecção de dois olhares que se ignoram e se encontram em mim. Pactuam? Sou o espaço puro, o campo de batalha. Vejo através do meu corpo todo o meu outro corpo. A pedra cintila. O sol arranca-me os olhos. Em minhas orbitras vazias dois astros alisam suas plumas vermelhas. Esplendor, espiral de asas, bico feroz. E agora, meus olhos cantam. Inclina-te sobre o seu canto, lança-te à fogueira."
Vale do México, Octavio Paz, Antologia Poética, ed. Dom Quixote, Lisboa, 1a edição, 1984, p.49
Octávio Paz nasceu na Cidade do México em 1914.
Etiquetas: México
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