08 outubro 2008
"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara!"
Enquanto na "América" de Alexis de Tocqueville, se foi impondo a doutrina do "Estado Espectáculo" a la Roger-Gérard Schwartzenberg, um laureado escritor português deu a conhecer ao mundo (1995) um dos maiores tratados literários sobre a condição humana: O Ensaio sobre a Cegueira.
Trata-se de um dos livros maiores de José Saramago, que vale por si e que tem o mérito de chamar à colação um grande nome do cinema, Fernando Meirelles, um dos realizadores que melhor trabalha a temática da pobreza, da discriminação, da vulnerabilidade, da máquina que atropela as mais elementares formas de dignificação humana.
Se o debate enobrece, não devemos esquecer os ensinamentos da história. E como dizia Erasmus: "In the kingdom of the blind, the one-eyed man is king." Eis um excerto da mais recente manifestação de "cegueira" de Saramago:
"Como serão as coisas quando não estamos a olhar para elas? (...)
Quando numa habitação imersa em total obscuridade acendemos uma luz, a escuridão desaparece. Então não é raro perguntar-nos: “Para onde foi ela?” E a resposta só pode ser uma: “Não foi para nenhum lugar, a escuridão é simplesmente o outro lado da luz, a sua face secreta”. Foi pena que não mo tivessem dito antes, quando eu era criança. Hoje saberia tudo sobre a escuridão e a luz, sobre a luz e a escuridão."
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