07 novembro 2008
O Estranhamento do Mundo
"(...) Então onde estamos quando ouvimos música? A indicação do local permanece vaga; apenas é certo que não se pode estar completamente no mundo quando se está a ouvir música. Porque ouvir, no sentido musical, quer sempre dizer, ou ir ao encontro do mundo ou fugir dele. (...)
Representam-se com razão os anjos como músicos, apenas tocam, não ouvem nada. Se fossem ouvintes, seriam semelhantes a nós. Mas nós estamos condenados à música, como à saudade, como à liberdade.
Enquanto arte dos condenados, a música continuará a ser, segundo uma expressão de Thomas Maan, até nova ordem, um território demoníaco."
O Estranhamento do Mundo, Peter Sloterdijk, Relógio de Água, p. 179.
Hoje às 21h no Fórum Cultural de Alcochete interpreta-se mais um Requiem de Eurico Carrapatoso.
Ao Tiago que partiu esta semana, pois era demasiado Anjo para continuar neste território.
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