19 janeiro 2009
Tin, Tu, Ka, Ga, Tirakita, Tira, Ki Ta e Sitar.
Sala esgotada no Museu do Oriente para aquele que foi primeiro grande espectáculo de 2009. Mais do que um concerto para amigos, mais do que um relato sobre “Ragas e Viagens”, Paulo Sousa fez questão de reivindicar lugar único na cena musical nacional e promete dar cartas nos palcos que se atrevem a lançar pontes para a música de outras rotas.Tendo iniciado as lides musicais nos anos 80 como guitarrista do agrupamento Essa Entente, o músico português cedo se interessou por outras sonoridades, tendo começado a ganhar especial interesse pelo Sitar o que o levou a aprofundar conhecimentos no domínio da música clássica hundustânica. Em 2006 parte para Puna na Índia para receber formação em música clássica e Sitar tendo como mestre Pandit Hindraj Divekar, mestre de Rudravina e Sitar. Foi aluno de Swanand Arole, sitarista discípulo de Ustad Rais Khan, o mais velho mestre representante da Gharana de Mewaat.
Após o regresso da Índia Paulo Sousa dá-se a conhecer ao público português num concerto no Centro Cultural de Belém com o tablista indiano Makarand Tulankar, transmitido em directo pela Antena 2 e, mais tarde, editado em CD.
O concerto de ontem que será também editado em CD marca a afirmação da carreira do músico que abraça novas responsabilidades no domínio da interpretação da música clássica hindustânica.
Acompanhado pelo tablista alemão Raimund Engelhardt, foram apresentados vários Ragas e Dhuns que fizeram as delícias da plateia absolutamente rendida aos sons do Sitar.
Durante mais de 90 minutos de música, Paulo Sousa fez vibrar o Sitar, o belíssimo instrumento de corda pulsada que, pousado nos joelhos do intérprete, ressoava em riquíssimos sons metálicos e longos glissandos que ecoavam por simpatia harmónica ao toque das “cordas encantadas”.
O concerto começou com o Raga Charukeshi, seguindo-se o belíssimo Raga Bageshri, e Dhun estes últimos referências incontornáveis da música do norte da Índia e do Paquistão celebrizados pelo mestre Ustad Rais Khan.
Para além de um concerto intimista, potencialmente meditativo e de sons quase devocionais, este foi também um concerto “pedagógico” tal como referido pelo intérprete do Sitar que ao afinar as cordas deste instrumento sugeria uma panóplia de fórmulas sonoras surpreendentes. Um dos momentos mais interessantes do concerto aconteceu quando o tablista Raimund Engelhardt desenhou a linguagem da Tabla, juntando à demonstração técnica as sete vocais que correspondem aos sons deste instrumento. Cada pancada ou posição específica das mãos na Tabla – bol - produz um som diferente consoante o modo de execução e têm um nome e uma vocal própria. Ficámos a saber que a Tabla se canta e se toca assim: Tin, Tu, Ka, Ga, Tirakita, Tira, Ki Ta. Imaginem a aliança destes sons à voz e à , percussão acompanhado pelo crescendo do Sitar! Por momentos passeámos pela saudosa lembrança do “Deus” Nusrat Fateh Ali Khan.
No final ressoaram contínuas as palmas, a gratidão do público e dos músicos presentes em palco. Um concerto único, um poema sonoro onde desfilaram as combinações rítmicas responsáveis pela encantadora variedade de ambientes sonoros, cores e perfumes de outras rotas. Magnífico!
O concerto começou com o Raga Charukeshi, seguindo-se o belíssimo Raga Bageshri, e Dhun estes últimos referências incontornáveis da música do norte da Índia e do Paquistão celebrizados pelo mestre Ustad Rais Khan.
Para além de um concerto intimista, potencialmente meditativo e de sons quase devocionais, este foi também um concerto “pedagógico” tal como referido pelo intérprete do Sitar que ao afinar as cordas deste instrumento sugeria uma panóplia de fórmulas sonoras surpreendentes. Um dos momentos mais interessantes do concerto aconteceu quando o tablista Raimund Engelhardt desenhou a linguagem da Tabla, juntando à demonstração técnica as sete vocais que correspondem aos sons deste instrumento. Cada pancada ou posição específica das mãos na Tabla – bol - produz um som diferente consoante o modo de execução e têm um nome e uma vocal própria. Ficámos a saber que a Tabla se canta e se toca assim: Tin, Tu, Ka, Ga, Tirakita, Tira, Ki Ta. Imaginem a aliança destes sons à voz e à , percussão acompanhado pelo crescendo do Sitar! Por momentos passeámos pela saudosa lembrança do “Deus” Nusrat Fateh Ali Khan.
No final ressoaram contínuas as palmas, a gratidão do público e dos músicos presentes em palco. Um concerto único, um poema sonoro onde desfilaram as combinações rítmicas responsáveis pela encantadora variedade de ambientes sonoros, cores e perfumes de outras rotas. Magnífico!
Etiquetas: Concertos
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