02 abril 2009
Ventos animais
Segunda plateia do S. Jorge. Sala esgotada e bilhetes só no lugar ao canto.
Ponto morto antes do início do concerto que seguiu em velocidade escaldante. Se aquela sala de cinema fosse um Traby acabavamos estampados na tela e lambíamos o sangue a provar a verdade!
Ontem soltaram-se os ventos animais por Lisboa. A cidade andou a monte, perdeu-se o chão em uníssono na sala repleta de cabeças afirmativas, ritmadas, compassadas, bêbadas!
Mão Morta, meus senhores. Do fundo, da tela do cinema velho, saltaram anjos desleais, o acrobata especial na forma Duval. Engoliram a plateia, morderam as mãos dos outros, (as minhas ainda guardam os caninos da besta), fizeram rugir trovões felpudos e deram-nos sede de sangue!
Ao fundo na parede à direita, a sombra enorme e contorcida projectava a imagem acrobata do anarquista Canibal. Tão real como a sombra que Murnau erigiu em 1922. Quem não sentiu o cão da morte a bafejar no seu pescoço? E quem não gostou do hálito? Apareceram todos, aqueles que há uns anos estavam em todas, os mortos vivos do tempo dos corações felpudos. E saímos pela cidade como feras nos quintais. É que depois, e se depois, o desejo persistir consome-te nele. E assim foi, os ventos animais sopraram Lisboa até às seis da manhã.
Os Mão Morta continuam a ser uma das melhores bandas de sempre! Ontem foi uma selvajaria!
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