03 maio 2009

 

Curtas sobre uma noite de Maio.

O Festival Internacional de Cinema transforma a velha Lisboa na Lisboa indie com tudo o que de bom e mau o estrangeirismo consegue importar.
Mas ontem Lisboa estava particularmente apetecível, espraiando-se ao sol de portas abertas à Liberdade, ao Castelo que a vela e ao rio adormecido que a transpira.
A escala da noite começou com um belíssimo documentário sobre a segunda passagem Johnny Cash por Folsom Prison, em Janeiro de 1968 ano de luta por uma sociedade mais justa. Por falar em justiça social, El Olvido o documentário de Heddy Honigmann merecia, no mínimo, uma menção honrosa. Trata-se de um poderoso e parcial trabalho sobre a pobreza extrema na América Latina, sobre a fome, a miséria e a corrupção que se esquecem na nação do Sol, no continente escondido, olvidado em detrimento de outros “condóminos” da América. Felizmente, à saída da sessão e depois de conhecer os premiados deste indie’ 09, constato que Los Herederos foi galardoado com o prémio da Amnistia Internacional.
A noite termina com um gostinho a Mogwai e Low.
O documentário de Vincent Moon sobre os Mogwai apenas tem o mérito de nos fazer recordar um dos melhores concertos que o ano de 2009 registou. Verdade seja dita, se o ano de 2009 tem sido humilde em matéria de grandes concertos, a passagem dos escoceses em Fevereiro último, deixou provas irrefutáveis de que os Mogwai são ainda uma “banda” sólida, musculada e alicerçada em material sonante que dificilmente se documenta no formato adoptado por Vicent Moon.
A confirmar que o “rockumentário” não tem sido uma forma muito feliz, sublinhamos o documentário de David Kleijwegt sobre os Low de Alan Sparhawk e Mimi Parker.
Trata-se de um trabalho notável sobre uma das bandas mais interessantes que a terra do profeta Mórmon viu nascer nos últimos tempos. You May Need a Murderer, remete-nos para o arrebatador Drums & Guns mas é mais do que um documentário sobre música. Fala-nos de uma América crua, da comunidade da igreja cristã restauracionista, apresenta-nos a vida do casal Alan e Mimi e seus filhos Cyrus e Holli. Fala-nos de delírios, de fé, de um amor estranho, da loucura, inocência e todo o desconforto que acompanha este documentário remete para o cinema de Gus Van Sant.
Alan e Mimi são casados em matrimónio, na fé, mas essencialmente nas suas vozes. E que vozes! Mas o fantasma está sempre presente, é pois a letra de Murderer que encarna a doutrina do documentário. E Alan confessa: “a música é a licença que permite que tudo não tenha de estar sempre na ordem”. Haja música dos Low… por muito, muito tempo.
Assim foi, depois disto não havia pachorra para o Maxime.
Lisboa é tão mais bonita quando as noites estão quentes.

# publicada por Chandra @ 5/03/2009
Comentários: Enviar um comentário

Subscrever Enviar feedback [Atom]





<< Página inicial

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Subscrever Mensagens [Atom]


Hiperligações

  • KEXP 90.3 FM Seattle
  • Zune Arts
  • Sterogum
  • Little Radio
  • Pitchfork

Arquivos

  • outubro 2006
  • novembro 2006
  • dezembro 2006
  • janeiro 2007
  • fevereiro 2007
  • março 2007
  • abril 2007
  • maio 2007
  • junho 2007
  • julho 2007
  • agosto 2007
  • setembro 2007
  • outubro 2007
  • novembro 2007
  • dezembro 2007
  • janeiro 2008
  • fevereiro 2008
  • março 2008
  • abril 2008
  • maio 2008
  • junho 2008
  • julho 2008
  • agosto 2008
  • setembro 2008
  • outubro 2008
  • novembro 2008
  • dezembro 2008
  • janeiro 2009
  • fevereiro 2009
  • março 2009
  • abril 2009
  • maio 2009
  • junho 2009
  • julho 2009
  • agosto 2009

jukebox
(Broadcasting From Home)