09 janeiro 2007

 

Genesis 11: 1-9

A Torre de Babel é mencionada no livro bíblico do Génesis como uma torre enorme construída pelos descendentes de Noé, com a finalidade de tocar os céus. Após a construção da torre, Deus, irado com a megalomania humana, ordenou que todos os trabalhadores da obra começassem a falar em línguas e dialectos diferentes, de modo a que não se pudessem entender, e assim, acabaram por abandonar a sua construção. Foi neste episódio que, segundo a Bíblia, se explica a origem dos idiomas na humanidade, as incompreensões entre os povos, a intolerâncias. “Todos os povos, no plano divino, tinham «somente uma língua e […] as mesmas palavras» (Gn 11, 1), mas os homens dividem-se, voltando as costas ao Criador (cf. Gn 11, 4).”
Se os construtores da Torre de Babel quisessem ser compreendidos tinham de aprender a ouvir, tinham de aprender a escutar!
Este episódio do Antigo testamento apresenta-se retratado em "BABEL", o último trabalho do realizador Alejandro González Iñárritu ("21 Gramas", "Amor Cão").
A história começa nas montanhas de Marrocos com um acidente que envolve um casal norte-americano (Brad Pitt, Cate Blanchett) sucedendo-se uma cadeia de acontecimentos em quatro famílias, em quatro continentes diferentes.
Ligados por circunstâncias mas separados por continentes, culturas e línguas, cada personagem é esmagada pelas dificuldades linguísticas e ausência de comunicação. Os rapazes marroquinos que não se entendem com uma arma nas mãos. O casal norte-americano que é demasiado evoluído para saber escutar a linguagem do amor. O pai nipónico que tenta evitar discutir a vida com uma adolescente surda-muda. As luzes da discoteca que soam demasiado alto. A linguagem de um corpo que se abandona entre uma sala e uma varanda. Um bilhete cujo conteúdo não precisa de ser lido. A empregada mexicana que se perde no deserto das teias legais. A geopolítica que confunde as regras e baralha o jogo.
Separados por choques culturais e distâncias desiguais, cada um destes quatro grupos avança tumultuosamente para um destino compartilhado de isolamento, dor e incompreensão.
Cada personagem enfrenta a sensação de perda. A perda da fala, perda da identidade, todos estão perdidos – perdidos no deserto, perdidos no mundo, perdidos de si próprios.
As torres mais altas também caem! (Génesis 11: 1-9).
Pare e escute… e depois fale.

Etiquetas: Cinema


# publicada por Chandra @ 1/09/2007
Comentários:
Tens razão o filme é muito bom! É mesmo muito bom! Mas acho que gostei mais do 21 gramas... em certos aspectos tenho deconcordar com a critica.
J.P
# publicada por Anonymous Anónimo : 10 janeiro, 2007
 
Não concordo nada com a critica. Como diz um amigo meu "certos criticos só gostam de filmes japoneses com mulheres oprimidas".
Sabes o que falta no Babel para a critica gostar, tirarem de lá o Pitt!Não há paciência para certas "pseudo coisisses":)
# publicada por Blogger Chandra : 10 janeiro, 2007
 
Adorei!
Nico
# publicada por Anonymous Anónimo : 11 janeiro, 2007
 
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