19 maio 2009
"Não existe pecado abaixo do Equador"
Uma parceria entre a Casa da América Latina e a Cinemateca Portuguesa leva às salas da Barata Salgueiro vários filmes provenientes de países da América Latina. Etiquetas: América Latina, Cinema, México
19 março 2009
O político e o mito.
Etiquetas: Cinema
12 março 2009
A Velha Raposa

Etiquetas: Cinema
08 março 2009
A terceira face.
"Penso que tenho sido suficientemente realista e é isso que sou nesta altura da vida. Sempre senti que as pessoas têm que evoluir. Se alguma vantagem há na idade, é o conhecimento e a experiência, até ao dia em que me surja alguma espécie de pré-senilidade, julgo que vou continuar a explorar isso. Mas se uma pessoa não está disposta a aceitar a idade que tem, não se pode fazer isto [continuar à frente das câmaras como actor sem temer a sua comparação com a imagem icónica de jovem actor]. Nesse caso uma pessoa não pode senão sentar-se e dizer, 'Bem há 40 anos atrás eu era esse tipo que corria e empunhava esta arma'. Não que não possa fazê-lo até determinado ponto, mas não está certo. O que é justo é jogar agora na minha área. Brinquei com a idade em "In the line of fire", mas agora é altura de dizer 'é isto que és e aquilo que serás'. Podia pintar o cabelo e dizer que voltei a ter 35 anos. Mas não tenho e não o vou fazer."Clint Eastwood, in Film comment, 2005 execerto da entrevista de Amy Taubin, in Clint Eastwood, Um Homem com Passado, Cinemateca Portuguesa, Museu do Cinema, 2008, p.83
A propósito de Grand Torino
Foi ao som de uma salva de palmas que terminou a projecção de Grand Torino na passada sexta-feira na Cinemateca Portuguesa. Enterrada na cadeira fiquei presa ao tema final de Grand Torino e lembro-me de não ter vontade de sair da sala. Apetecia ficar por lá toda a noite, e rever os filmes de Eastwood com e sem o próprio. Clint Eastwood é um homem sem idade, um dos maiores realizadores vivos. É pois com assumida audácia que me arrogo afirmar: "existem dois tipos de amantes de Cinema os que se rendem a Clint Eastwood e... os outros".
Sergio Leone afirmou:"Eu gosto do Clint Eastwood porque ele tem somente duas expressões faciais. Uma com o chapéu e outra sem ele". Em Grand Torino Clint Eastwood põe o chapéu, tira o chapéu e olha-nos nos olhos! Grand Torino é pois muito mais do que apenas mais um filme de Eastwood. É a imagem projectada no espelho, é um álbum de memórias, a recolha de ícones cinematográficos criados pelo próprio Eastwood. Já aqui falei na dificuldade de escrever sobre os seus filmes, e com toda a seriedade esta dificuldade é cada vez maior. Mas é impossível resistir a esta terceira face de Eastwood, o seu olhar. O que mais me intriga e fascina nos filmes de Clint Eastwood é um denominador comum: o arrependimento por algo que se fez ou se deixou de fazer. A ideia de redenção é uma constante. Tudo se desenrola como se o realizador procurasse, através da absoluta humanidade que imprime nos seus filmes, encontrar a absolvição da culpa, do erro, da omissão, da ausência de discernimento e consciência, a ideia de transcendência e plenitude, no grande plano da moral ou do excesso dela. Neste Grand Torino Eastwood alcança, finalmente, a redenção. Apesar de não se confessar pelo (em) nome próprio, nunca entregando as mãos a quem o reporta a Deus, apesar de não acreditar na eternidade nem na feição "agridoce da morte", Clint atinge a paz redimindo-se do pecado capital. Clint deixa o chapéu, baixa a arma digital e confessa-se, por fim, de braços estirados na relva como o um novo redentor: Eis-me perante o Ti em nome da vingança que é tão enganadora como a própria morte. Clint Eastwood encontra o seu "Personal Jesus" e Grand Torino é um capítulo da Bíblia.
O cenário é a América de Obama, dos netos do Tio Sam, a América onde o crime tem nome de raça e de vergonha. São de raça e de vergonha os homens que em tempos partiram para a terra prometida. São de intolerância e de arrependimento, de multi culturalismo e identidades esquecidas, reprimidas. Clint é Walt Kowalski , um americano de descendência polaca, que herdou o perfil de Harry Callahan, o "dirty harry" de Siegel, o bom , o mau e o vilão numa só personagem. Walt Kowalsky é o cowboy de Leone, o justiceiro incorruptível, o inspector rabugento, o Frank Corvin da Ford, os homens de Iwo Jima, o estandarte da bandeira dos seus antepassados. É impossível não sentir uma enorme empatia por este Walt Kowalski, é impossível não chorar a sua morte. Mas é ainda bem mais agradável olhar Clint Eastwood através dos seus próprios olhos, sentido a sua própria música. Imperdoável esse olhar: casas comigo Clint?
Etiquetas: Cinema
23 fevereiro 2009
Goes to...CINEMA!
Exceptuando os indispensáveis ciclos da Cinemateca Portuguesa (atentem ao ciclo Clint Eastwood, ainda a decorrer) o ano de 2009 arrancou com a A Valsa com Bashir; a Troca; O Estranho Caso de Benjamin Button; Vicky Christina Barcelona; Milk; A Dúvida; Revolutionary Road; The Reader; Slumdog Millionaire; Happy Go Lucky (destaque especial par este grande filme de Mike Leigh).
Kate Winslet consagrou-se como mais uma grande promessa num palmarés de luxo que era liderado pela Senhora M. Streep. De resto foi delicioso o discurso de Kate bem como a reacção de Angelina Jolie (que está excelente na Troca de Eastwood): “And I want to acknowledge my fellow nominees, these goddesses. I think we all can't believe we're in a category with Meryl Streep at all”.
Depois da entrega dos prémios, subsiste a imensa curiosidade para o filme de um promissor realizador Daron Aronofsky (já muito apreciado por estes lados). Resta-me agora aguardar com muita expectativa Grand Torino do mestre Eastwood e o regresso de Tarantino.
Resumindo, eis a lista dos meus nomeados que em minha opinião seriam os justos vencedores:
Melhor Filme – The Reader
Melhor Realizador – Stepehn Daldry, The Reader
Melhor Actor – Sean Penn, Milk
Melhor Actriz – Kate Winslet, The Reader
Melhor Actor Secundário – Heath Ledger, The Dark Knight
Melhor Actriz Secundária – Penélope Cruz, Vicky Cristina Barcelona
Melhor Argumento Original – Milk
Melhor Argumento Adaptado – The Reader
Melhor Filme de Língua Estrangeira – A Valsa com Bashir
Melhor Filme de Animação – Wall-E
Melhor Fotografia – Slumdog Millionaire
Melhor Montagem – Slumdog Millionaire
Melhor Banda Sonora – The Curious Case of Benjamin Button
Melhor Canção Original – Down to Earth, Wall-E
Melhor Direcção Artística – The Curious Case of Benjamin Button
Melhores Efeitos Sonoros – The Dark Night
Melhor Montagem de Som – The Dark Knight
Melhores Efeitos Visuais – The Curious Case of Benjamin Button
Melhor Caracterização – The Curious Case of Benjamin Button
Etiquetas: Cinema
16 fevereiro 2009
The lady and the little puppet
01 fevereiro 2009
Woody, Paco, Sean, Barcelona.
Vicky Cristina Barcelona , Woody Allen (2009)

Etiquetas: Cinema
31 janeiro 2009
The Dove and The Hummingbird
"I hope you live a life you're proud of. If you find that you're not, I hope you have the strength to start all over again."ONE DOVE
Etiquetas: Cinema
04 janeiro 2009
Cessar fogo!
Etiquetas: Cinema
07 dezembro 2008
Liber scriptus proferetur, unde mundus judicetur.
José Saramago, (Apresentação púbica do ensaio sobre a Cegueira)
Depois de ter escutado uma entrevista com José Saramago na passada sexta feira e de ter anuído à tentação consumista da Viagem do Elefante… lá cedi ao filme. Note-se que as expectativas eram nulas. Após um processo inicial de grande curiosidade, aliada à admiração pelo trabalho de Fernando Meirelles e Julianne Moore, vieram as críticas e os comentários dos amigos… motivos vários remeteram o "Ensaio" para hoje.
Após o filme, no automático regresso a casa, é impossível não recolher memórias remetendo-as para especulações estéticas, recordando mestres da pintura, do cinema e da literatura. Memórias de uma leitura distante mas que me causaram um quadro mental estereotipado que dificilmente algum cineasta, pintor ou fotógrafo poderiam reproduzir.
A primeira reacção no final do filme é pois meramente ensaística. E se o romance de Saramago tivesse sido realizado por D. Cronenberg, e se tivesse sido adaptado por Carpenter, David Lynch, ou mesmo Ingmar Bergman? E se a banda sonora contasse a perfeição de P. Glass, ou mesmo a mestria de Alfred Schnittke?
Poderíamos multiplicar os exemplos, mas o que pretendemos verdadeiramente é centrarmo-nos no fenómeno criação/interpretação. A tremenda responsabilidade de Meirelles ao aceitar o desafio de transpor para o cinema a maior alegoria de Saramago talvez tenha viciado a forma e o espaço, sobrevalorizando o recurso a lugares comuns. A história é confinada quase unicamente à Ala dos Cegos, ao invés de recorrer ao caos dantesco que se instala nas cidades e nos Homens. As personagens não são mais do que arquétipos simples, esquecendo o modelo paradigmático humano das personagens do romance de Saramago. Lembro-me após ter terminado a leitura do Ensaio sobre a Cegueira de ter pensado o enorme sofrimento, a enorme angústia que o escritor terá sentido para compor tamanhas e tão tremendas imagens. Sentia-me eu própria angustiada, enojada, assustada, confessando-me e revendo-me quiçá no interior daquele quadro, reproduzindo os mesmos actos hediondos de algumas das figuras humanas retratadas na Cegueira. Esta é a obra que terá ferido, maltratado, malogrado o escritor. Este é um exemplo de como a obra pode levar o criador ao sofrimento, ao desespero. E quando a obra angustia de tal forma aquele que a cria então sim, estamos perante um fenómeno único de criação.
Não é o que acontece neste filme de Meirelles. Contrariamente à excelente adaptação cinematográfica do livro de Jonh le Carré, contrariamente à saga da Cidade de Deus e da Cidade dos Homens, este ensaio não passa disso, um filme-ensaio. Um filme que tenta aproximar-se da obra sem contudo lhe imprimir as texturas da dor. Seja como for, o desconforto suscitado pelo filme de Meireles é suficiente para levar o leitor omisso a devorar o livro de Saramago, o que por si é meritório.
Com efeito, não é fácil transpor para o cinema a obra-prima. Imagine-se a produção cinematográfica perfeita da obra maior de Cervantes? Quem (senão talvez Tarkovsky ou Sukurov) conseguiria filmar o Crime e Castigo sem necessidade de redenção imediata? Que realizador poderia transpor para cinema um Jardim das Delícias à escala de Bosch, que compositor poderia compor em tons imaculados a obra de Caravaggio (embora Derek Jarman tenha feito um excelente trabalho na sua adaptação). A questão é então determinar se é possível imprimir a mesma qualidade estética em duas formas de expressão artística diferentes.
Qualquer que seja a verdade em relação à liberdade e às potencialidades criadoras do “homem/ artista”, a verdade é que nenhum estado de espírito humano pode permanecer inalterado após o acto terrífico de criar.
O acto de criar é pois distinto do acto de interpretar. Após o acto de Criação o espírito humano toma contacto com outros níveis de realidade que de outro modo lhe seriam inacessíveis. Interpretar por vezes, não vai para além da mera percepção dessa realidade.
Criar implica, um sofrimento atroz. Escrevia Herman Hesse “…o artista sofre pois vê terrivelmente e demais…”
Mas de que vale este “sacrifício” do artista/criador se o interprete não está à sua escala?
Dificilmente alguém pode interpretar e contar aos outros o que ele próprio não terá vivido, mas porque não tentar? E Meirelles tentou e tentou bem. A questão é que o Ensaio sobre a Cegueira é uma Criação que terá dilacerado o seu autor e talvez Meirelles não tenha sentido, ainda com tamanha acutilância, o “aguilhão” da condição humana.
Saramago experimentou o ferrão da condição do Homem, nele se consome e dele se isola. O sofrimento e a solidão são fórmulas perfeitas da criação ou seja, aquelas que levam o Homem a interpretar-se e a criar-se a si mesmo.
Etiquetas: Cinema
21 novembro 2008
Buñuel no México e no Estoril
" Los Olvidados (1950)"18 junho 2008
Filme do ano?

Etiquetas: Cinema
23 abril 2008
Youth Without Youth: o erro de Coppola
Excelente tema, excelente adaptação do romande de Mircea Eliade. Muito bom, muito bom mesmo. E se David Linch se lembrasse de fazer esta adpatação? Etiquetas: Cinema
08 janeiro 2008
07
2- The Fountain de Darren Aronofsky ignorado por grande parte da crítica, é uma obra-prima. Trata-se da forma mais bela de filmar o Amor, o sentido da vida e os limites da consciência. É um filme transcendente que vem aliar a ciência à metafisica de uma forma arrebatadora. The Fountain é filme que merece o mesmo adjectivo que pode ser entregue à vida: é maravilhoso!
3- Em terceiro lugar, e porque o David Lynch é um mestre, e porque o seu cinema deriva de causas maiores que vão para além dos sentidos, Inland Empire: "lets not try to figure out everything at once".
4-Little Children de Tood Field é um dos grandes acontecimentos cinematográficos do ano. Um retrato da hipócrisia da sociedade norte americana, um regresso à infância, na vida dos adultos, nas memórias das crianças, nas infantilidades de uma sociedade castrante, onde a liberdade se perde em prol da falsa moral. Onde se elogia, com mestria, o papel social da mulher e sua tremenda coragem.
5- Letters from Iwo Jima, de Clint Eastwood é mais obra prima que sai das mãos do cineasta que soube filmar um cenário de guerra com os olhos postos na câmara e o argumento centrado na condição humana. Medos, incertezas, afectos, identidades, arrependimentos... a ténue fronteira entre os bons e os maus da fita. Clint Eastwood despe-se de patriotismos para filmar a guerra sem ressentimentos. Letters from Iwo Jima, guarda, na memória do cinema, o que a história não consegue lembrar nos desígnios da humanidade.7- Paranoid Park - Gus van Sant
8- Lady Chatterley -Pascale Ferran
9- Zodiac- David Fincher
10- Honor de Cavalleria- Albert Serra
Etiquetas: Cinema
31 outubro 2007
In the Kingdom of the Blind...
Em Land of the Blind filme que desaconselho, Ralph Fiennes desempenha o papel de protagonista com o mérito de um grande Senhor do Cinema. No geral, sendo um filme “não muito agradável”, aproveita-se o Fiennes que encarna a personagem de Joe, um homem preso nas malhas da política, do terrorismo e do contra terrorismo.Tal como no filme, Fiennes mesmo cego, é Rei ("In the Kingdom of the Blind the one eyed are kings").
Ainda assim, sabendo que o filme é … o que é... quem pode deixar de ver o Fiennes no grande ecrã?
Ralph Fiennes é a prova viva da inspiração divina! Salve o Rei.
Etiquetas: Cinema, Ralph Fiennes
26 outubro 2007
Personal Trash?
Planet Terror é um filme para gostar ou detestar muito. Não há zonas cinzentas, estamos perante um filme de extremos e para andar de pulsos soltos, bem soltos…No extenso rol de cenas hilariantes/chocantes (depende da perspectiva e do estômago de cada um) uma verdade absoluta: Tarantino e Rodriguez sabem escolher as suas protagonistas!
Planet Terror é a prova viva (ou quase viva, depende do grau de decomposição) que o descomedimento no cinema afinal não tem limites! Gostei, gosto de exageros!
Etiquetas: Cinema
01 agosto 2007
Bergman e Antonioni
O início da semana fica marcado pela despedida de dois “poetas da tela” Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni, juntemos também um adeus Michel Serrault…É…os poetas estão a despedir-se em silêncio. Os testemunhos familiares afirmam que partiram “com serenidade”, e de que outra forma poderiam partir os os que já cumpriram a missão, aqueles que deixaram obra?
Tinha o hábito de dizer que, a par de alguns cineastas como Sukurov, Mikalkov, Sergei Eisenstein e Andrei Tarkovski, Bergman encarnava a alma russa florescida na Escandinávia.
Dizia-o um poeta das imagens, o transgressor incauto do drama das relações humanas, o violador da Pandora das emoções, o guardião do sétimo selo, que resguarda os segredos do sentir mais fundo, o cantor do intimismo e beleza, um realizador metafísico, o código de Bergman.
Há muitas forma de fazer cinema mas é muito difícil filmar com poesia, e fazê-la brotar em cada cena, a cada segundo, a casa suspiro, em cada olhar, nas mistura das cores, nos silêncios cúmplices, na plenitude do tempo, na inevitabilidade do fim. Comparava Bergman a K. Kieslowsky e julgava-os imortais. Estes cineastas selaram um Pacto com o Universo, com o sentir profundamente humano, e o acordo passava pela cláusula única: eu filmo-Te, nunca me deixarás partir!
Iniciada a viagem, fica a poesia aliada à vontade imperiosa de rever Gritos e Sussurros, A Flauta Mágica, O Silêncio, Fanny e Alexander, Segredos das Mulheres, o sublime Persona, o Sétimo Selo. Bergman sempre foi inspirado no teatro, e como se diz nas lides cénicas, uma ovação de pé!
Cá por casa roda uma compilação de composições de Z. Preisner, e alguns formatos VHS vão ser transpostos para outros suportes mais intemporais.
Sobre a obra de Antonioni cito Orson Welles: “Não gosto de me alongar nas coisas. Antonioni dá um plano aberto de alguém andando pela rua, da cabeça aos pés. E você pensa: Bom, ele não vai levar essa mulher até o fim da rua. Mas leva. Aí a mulher some e você continua olhando a rua, depois de ela ter sumido".
Venha um grande plano de Antonioni a toda a sua obra, um grande plano de Antonioni a toda a obra de Bergman, pois os espectadores continuarão a olhar para a tela depois da imagem ter adormecido!
Etiquetas: Cinema
Michelangelo Antonioni (1912-2007)
30 julho 2007
Bergman
"... The hopeless dream of being - not seeming, but being. At every waking moment, alert. The gulf between what you are with others and what you are alone. The vertigo and the constant hunger to be exposed, to be seen through, perhaps even wiped out... "Etiquetas: Cinema
24 julho 2007
"Did you hear that Butterfly? Miles to go before you sleep."
Death Proof é mais do que apenas mais um filme de Quentin Tarantino. É adrenalina total, Tarantino puro, a transcrição literal do conceito: farra cinematográfica.Inicialmente concebido como homenagem ao cinema undergruound dos anos 70, massificado no género grindhouse, Death Proof acaba por ser uma paródia espectacular onde o realizador usa e abusa de alguns dos seus unknown pleasures e clichés de luxo: o country barman, a nudez dos pés femininos, a Jukebox, o vinil, as bandas rock dos anos 70, lap dances, tudo isto e muito mais na versão take a walk on the wild side babe!
Tarantino regressa em jeito do grande mestre que já é, pois só os grandes mestres conseguem filmar o absurdo e dele fazer arte, e da boa.
Se é certo que Pulp Fiction se celebrizou pelos famosos diálogos masculinos, recorde-se a hilariante dissertação sobre o “Quarter Pounder with Cheese” e “Le Big Mac", Death Proof enfatiza o eterno feminino nos deslumbrantes diálogos das amigas, e da não menos histórica contra argumentação “Whatever-However" de Kim e Zoë Bell.
Mas Death Proof é muito mais que isto. É um tributo ao Feminino no seu todo com destaque para admirável junção de dois perfis assimétricos: a mulher bela, feroz, primitiva e insegura (Jungle Julie; Arlene/Butterfly) e a mulher sofisticada, madura, vingativa e vencedora (Kim, Zoe; Albernathy).
O universo 70’s é revisitado na perfeição, apesar das mensagens sms e dos i-pod que ligam os espectadores aos tempos modernos. Neste desfile de imagens e transgressões rodoviárias são várias as chalaças e alusões a Jackie Brown e Kill Bill: o toque de telemóvel, o carro amarelo e preto...e a paródia passa também pelo excerto a um dos diálogos da Bride.
Desde Reservoir Dogs Tarantino habituou-nos a BSO’s de Luxo e, mais uma vez, o elenco musical de Death Proof é magnífico! Talvez um dos melhores sets de Tarantino! Rock me baby ‘cause i like it!
Por certo não tardarão as criticas ao culto do trash, aos diálogos demasiadamente longos, à escola Blow up e linhagens de série Z revisitadas sem pudor. Preciosismos!
É que Death Proof é cru até na sua perfeição e, melhor que isso, Tarantino dá-se a esse luxo!
Etiquetas: Cinema
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