12 março 2007
Com a devida vénia
Em qualquer conversa sobre cinema opto pelo silêncio sempre que se discute o trabalho de Clint Eastwood. Não se trata de ausência de opinião, mas da manifesta incapacidade de exprimir a estranha ambiguidade e fascínio que sinto por alguns dos seus filmes. Por isso, considero este post extremamente ousado. Não sei escrever sobre Clint Eastwood, como tal, não falarei de cinema mas sim de afectos. “Escrevo sobre aquilo que gosto” é a justificação mais banal para explicar que escrevo, essencialmente, sobre o que me emociona e que faço questão de perder algum tempo com isso.
Gosto de registar as emoções sentidas em espectáculos, na música, no cinema, nos livros ou outras situações que confirmam o meu gosto pessoal ou o revivalismo de gostos adquiridos. A verdade é que o acto de escrever simboliza a cristalização de uma euforia, de um secreto encantamento, do entusiasmo que a música, o canto, o cinema, a dança, um livro são capazes de oferecer. Escrever sobre aquilo que gosto, constitui uma forma de homenagear esse sentimento de Plenitude, que se transforma, ela própria, numa plenitude da linguagem, na euforia das palavras e que se manifesta, de imediato, na imperiosa vontade de escrever.
Este é de momento, o desafio que tenho na ponta dos dedos. Queria ser capaz de imprimir algumas palavras sobre as Cartas de Iwo Jima, sobre as emoções, sobre a plenitude, sobre a mestria da fotografia, do argumento, das técnicas de realização, a magnífica interpretação, mas confesso a minha pequenez para me alongar no assunto Clint Eastwood…
É difícil escrever sobre este homem que começou por aprender a olhar o que estava para além das câmaras, este vilão dos afectos, um Dirty Harry arrebatador das mais insuspeitas emoções que guardamos ainda que nunca as tenhamos experimentado.
Clint Eastwood encerra um mistério em todas as suas grandes produções e realizações. A pedra de toque acaba sempre por ser a mesma, um irremediável sentimento de redenção. Talvez seja esta a verdadeira vocação de Eastwood, a redenção como propósito final. Será que o cinema é o seu veículo, a sua forma de expiação?
Dou como exemplo dois filmes muito distintos mas onde está presente este denominador comum: As Pontes de Madison County e Million Dollar Baby. Aparentemente dois filmes bastante simples, com um argumento meio corriqueiro até. Esta é sempre a minha primeira leitura perante o desconforto que os filmes de Eastwood me provocam. “ Lá está mais um cowboy a passar-se por moralista”. Não se trata apenas de indignação, trata-se de não ter vontade de ver melhor! Mas acontece que acabo sempre por rever as obras de Eastwood, olhá-las com outros olhos, ter coragem para ver para além da genial aparência de trivialidade. Foi o que aconteceu com as Cartas de Iwo Jima, quando o filme acabou e a sala finalmente ficou vazia, agradeci estar sozinha para não ser confrontada com inevitável pergunta: “então gostaste?" e a ainda mais temível sequela: “então porquê?”. Não saberia responder, vim para casa e tento escrever sobre o filme, ainda assim...
Gosto de registar as emoções sentidas em espectáculos, na música, no cinema, nos livros ou outras situações que confirmam o meu gosto pessoal ou o revivalismo de gostos adquiridos. A verdade é que o acto de escrever simboliza a cristalização de uma euforia, de um secreto encantamento, do entusiasmo que a música, o canto, o cinema, a dança, um livro são capazes de oferecer. Escrever sobre aquilo que gosto, constitui uma forma de homenagear esse sentimento de Plenitude, que se transforma, ela própria, numa plenitude da linguagem, na euforia das palavras e que se manifesta, de imediato, na imperiosa vontade de escrever.
Este é de momento, o desafio que tenho na ponta dos dedos. Queria ser capaz de imprimir algumas palavras sobre as Cartas de Iwo Jima, sobre as emoções, sobre a plenitude, sobre a mestria da fotografia, do argumento, das técnicas de realização, a magnífica interpretação, mas confesso a minha pequenez para me alongar no assunto Clint Eastwood…
É difícil escrever sobre este homem que começou por aprender a olhar o que estava para além das câmaras, este vilão dos afectos, um Dirty Harry arrebatador das mais insuspeitas emoções que guardamos ainda que nunca as tenhamos experimentado.
Clint Eastwood encerra um mistério em todas as suas grandes produções e realizações. A pedra de toque acaba sempre por ser a mesma, um irremediável sentimento de redenção. Talvez seja esta a verdadeira vocação de Eastwood, a redenção como propósito final. Será que o cinema é o seu veículo, a sua forma de expiação?
Dou como exemplo dois filmes muito distintos mas onde está presente este denominador comum: As Pontes de Madison County e Million Dollar Baby. Aparentemente dois filmes bastante simples, com um argumento meio corriqueiro até. Esta é sempre a minha primeira leitura perante o desconforto que os filmes de Eastwood me provocam. “ Lá está mais um cowboy a passar-se por moralista”. Não se trata apenas de indignação, trata-se de não ter vontade de ver melhor! Mas acontece que acabo sempre por rever as obras de Eastwood, olhá-las com outros olhos, ter coragem para ver para além da genial aparência de trivialidade. Foi o que aconteceu com as Cartas de Iwo Jima, quando o filme acabou e a sala finalmente ficou vazia, agradeci estar sozinha para não ser confrontada com inevitável pergunta: “então gostaste?" e a ainda mais temível sequela: “então porquê?”. Não saberia responder, vim para casa e tento escrever sobre o filme, ainda assim...
Não se trata de gostar e de conseguir escrever sobre isso. Trata-se de sentir e deixar-me levar por isso. Estou a ouvir a banda sonora do filme composta por Kyle Eastwood e Michael Stevens, belo...
Não leio este filme como um filme paternalista ou patriota (mais um), pois os verdadeiros actos de heroismo residem na escrita, nas cartas que perduraram, que merecem perdurar.
Não leio este filme como um filme paternalista ou patriota (mais um), pois os verdadeiros actos de heroismo residem na escrita, nas cartas que perduraram, que merecem perdurar.
Mr Eastwood, com a devida vénia, o senhor é um génio.
Etiquetas: Cinema
Comentários:
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Também já vi o filme e partilho da tua opinião! É excelente!E é um prazer ler este blog, pena que não escrevas mais!Escreve, pá e deixa-te de tretas! Beijos miúda JP
Com a devida vénia: escreve mais. Tens andado ausente e é um prazer passar por aqui e ler as tuas "deambulações".Como sabes não gosto do Clint mas até fiquei com vontade de ir ver o filme depois de ler este teu comentário.Beijo da terra da Buga!
Olha lá ó pedregulho gostas de comida de hospital? Não poderias esperar por mim para ir à porra do filme? Estes lagartos!
Miguel
Miguel
Hei quantos mimos,:P! Tirando o comentário do barrigudo, por falar nisso ó Mike este fds queres ir correr à ponte? O Inem vai lá estar;)
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