01 agosto 2007
Bergman e Antonioni
O início da semana fica marcado pela despedida de dois “poetas da tela” Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni, juntemos também um adeus Michel Serrault…É…os poetas estão a despedir-se em silêncio. Os testemunhos familiares afirmam que partiram “com serenidade”, e de que outra forma poderiam partir os os que já cumpriram a missão, aqueles que deixaram obra?
Tinha o hábito de dizer que, a par de alguns cineastas como Sukurov, Mikalkov, Sergei Eisenstein e Andrei Tarkovski, Bergman encarnava a alma russa florescida na Escandinávia.
Dizia-o um poeta das imagens, o transgressor incauto do drama das relações humanas, o violador da Pandora das emoções, o guardião do sétimo selo, que resguarda os segredos do sentir mais fundo, o cantor do intimismo e beleza, um realizador metafísico, o código de Bergman.
Há muitas forma de fazer cinema mas é muito difícil filmar com poesia, e fazê-la brotar em cada cena, a cada segundo, a casa suspiro, em cada olhar, nas mistura das cores, nos silêncios cúmplices, na plenitude do tempo, na inevitabilidade do fim. Comparava Bergman a K. Kieslowsky e julgava-os imortais. Estes cineastas selaram um Pacto com o Universo, com o sentir profundamente humano, e o acordo passava pela cláusula única: eu filmo-Te, nunca me deixarás partir!
Iniciada a viagem, fica a poesia aliada à vontade imperiosa de rever Gritos e Sussurros, A Flauta Mágica, O Silêncio, Fanny e Alexander, Segredos das Mulheres, o sublime Persona, o Sétimo Selo. Bergman sempre foi inspirado no teatro, e como se diz nas lides cénicas, uma ovação de pé!
Cá por casa roda uma compilação de composições de Z. Preisner, e alguns formatos VHS vão ser transpostos para outros suportes mais intemporais.
Antonioni o mestre italiano que partilhava a o pódio com F. Fellini e de R. Rossellini, também saiu de cena, deixando-nos a herança Blowup, muito bem revisitada por cineastas como Q. Tarantino. Mas legou-nos muito mais que isso, Antonioni fez voltar de página do dogma neo-realista e dos melodramas multipessoais. Foi o cineasta dos eclipses, o embaixador do cinema moderno em diálogo constante com a fotografia, a pintura e a literatura.
Sobre a obra de Antonioni cito Orson Welles: “Não gosto de me alongar nas coisas. Antonioni dá um plano aberto de alguém andando pela rua, da cabeça aos pés. E você pensa: Bom, ele não vai levar essa mulher até o fim da rua. Mas leva. Aí a mulher some e você continua olhando a rua, depois de ela ter sumido".
Venha um grande plano de Antonioni a toda a sua obra, um grande plano de Antonioni a toda a obra de Bergman, pois os espectadores continuarão a olhar para a tela depois da imagem ter adormecido!
Sobre a obra de Antonioni cito Orson Welles: “Não gosto de me alongar nas coisas. Antonioni dá um plano aberto de alguém andando pela rua, da cabeça aos pés. E você pensa: Bom, ele não vai levar essa mulher até o fim da rua. Mas leva. Aí a mulher some e você continua olhando a rua, depois de ela ter sumido".
Venha um grande plano de Antonioni a toda a sua obra, um grande plano de Antonioni a toda a obra de Bergman, pois os espectadores continuarão a olhar para a tela depois da imagem ter adormecido!
Etiquetas: Cinema
Comentários:
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Nik a cinemateca encerra no mês de Agosto, lamaentavelmente e estre ano também não reeditaram as famosas sessões ao ar livre na esplanada. Seriam tão bem vindas lá para Setembro;)baci
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