19 março 2009
O político e o mito.
Dizem que Steven Soderbergh "omite o homem real e filma o mito político".
Ainda não vi este "Che" pelo que não posso opinar. Mas não me apetece NADA alimentar polémicas acerca d'El Che, d'El Comandante, da ideologia, das consequências, das gerrilhas e dos resultados das revoluções. Apetece, apenas, ir ao cinema. Ver um Soderbergh com um Benicio Del Toro. Apetece matar saudades da América Latina, a América que ainda canta :Hasta Siempre Comandante!
Os Europeus sentam-se à mesa de um café a trocar ideias, os latino americanos sentam-se no chão a traçar caminhos. Por vezes sobem às mesas e dançam, batem com os pés e gritam, choram e amam, arrancam cabelos e cospem quando algo lhes desagrada.
Che e a sua América são tudo isto e, muito mais do que um mito! Esta América desenha no olhar das suas gentes, nas vozes que ainda cantam "aquí se queda la clara, la entrañable transparencia..." o fim de toda a utopia, o fim dos mitos, a morte dos políticos!
Lá vive-se de fervor e de paixão, de melancolia e arrebatamento. O cheiro da América latina é de sangue e suor. Entranha-se na pele como se fosse um veneno ruim, um vício de mascar, de morder e rasgar, de fincar e temer, uma febre de não dormir, um grito de liberdade. Vou voltar, se vou! Vou voltar a esta América que de tão mítica, me quer mais que esta Europa tão política!
Etiquetas: Cinema
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