Para o fim fica o melhor. A melhor canção, a melhor letra, o vídeo, a voz! Mas a letra é definitivamete a letra de 2008! Está lá tudo, filha de p*** de letra!
Bom, assim foi ano que passou...
Sem queixume, resta-me enaltecer os amigos! Pela presença, pelos sorrisos e lágrimas, loiríces, palhaçadas, marisqueira chinesa, o copo de vinho, os brindes, as máfias das múZicas, os podcasts, os abraços, os jantares, os silêncios e almoços, as gargalhadas até cair de lado, as longas noites, as pistas de dança, os sms, "aquele abraço", os apupos, os concertos, a plateia, as palmas, os bilhetes oferecidos, Precious moments, Los Muchachos de Kika Bang Bang!!!, as cartas dadaístas de 1998, a praia ao fim da tarde, os mergulhos de madrugada, ao Yoga e à malta do convento. Lá por casa. Aos que partiram e aos que permanecem, enfim vocês sabem quem são!
À Música.
A todos, um excelente ano de 2009!
The Walkman, In the New Year
Oh, I’m still living At the old address And I’m waiting on the weather That I know will pass I know that it’s true It’s gonna be a good year Out of the darkness And into the fire I tell you I love you And my heart’s in the strangest place That’s how it started And that’s how it ends Well I know you’re with me It’s a point of pride And it’s louder than lightning In this room of mine Oh, I’m just like you I never hear the bad news And I never will We won by a landslide Our troubles are over My sisters are married to all of my friends Yeah, that’s how it started You took your sweet time And I waited by without complaint Til all the pipe dreams made me insane So it’s all over It’s all over anyhow You took your sweet time Finally, I opened my eyes My friends and my family They are asking of me: “How long will you ramble? "How long did you say it would be?" Snow is still falling I’m almost home I’ll see you in the new year
Run [I'm a Natural Disaster] é um tema extraído de "The Odd Couple" da dupla Gnarls Barkley, uma descoberta tardia mas sem dúvida, uma das surpresas de 2008. Trata-se da sequela tão esperada depois do sucesso de “Crazy”. Mas este "The Odd Couple" é muito mais que um lugar na Billboard, é soul reinventado, estonteante, com temas fortes, arrastados na languidez do Soul e na voz que vale milhões do vocalista Cee-Lo. "The Odd Couple" é um desfile de temas quase épicos como é o caso de “Who’s Gonna Safe My Soul”, “Going On” e “Whatever” a fazer lembrar uma possível BSO das últimas tendências estéticas de Tarantino. Para além disso, tem o mérito de ser o primeiro álbum da história da música que integra um tema cujo título foi escrito em homenagem a certas pessoas mais distraídas, you know what i mean, right!? É um facto este Run [I’m a Natural Disaster] pede festa, dança e pulos! Ora escutem e tentem resistir sem dançar, vá! Impossível, não?
1-Fleet Foxes- Fleet Foxes 2-Toumani Diabaté- The Mandé Variatios 3-Portishead- Third 4-Nick Cave and the Bad Seeds- Dig Lazarus Dig!!! 5-Beach House- Devotion 6-Man Man- Rabbit Habbits 7-Rokia Traoré- Tchamantché 8-Gang Gang Dance -Saint Dymphna! 9-Stephen-Malkums the Jicks- Real Emotional Trash 10-Calexico- Carried to Dust 11-High Places- High Places 12-David Byrne/Brian Eno- Everything That Happens Will Happen Today 13-Johann Johannssen- Fordlândia 14- Arve Henriksen- Cartography 15-Vampire Weekend-Vampire Weekend 16- Fennesz- Black Sea 17- R.E.M.- Accelerate 18- Why? -Alopecia 19- Spiritualized-Songs In A & E 20- Elbow- The Seldom Seed kid 21- Black Mountain- In the Future 22- The Walkman: You & Me 23- No Age- Nouns 24- Last Shadow Puppets -The Age Of Understatement 25- The Kills- Midnight Boom 26- Ry Cooder- I Flathead 27- TV On The Radio- Dear Science 28- Vivian Girls: Vivian Girls 29- The Faint- Fascination 30- Cut Copy-In Ghost Coulors 31- Quiet Village- Silent Movie 32- Paolo Conte- Psiche 33- Okkervil River- The Stand Ins 34- Mothertongue- Nico Mulhy 35- Foals-Antidotes
1-In the New Year- The Walkman 2-Your Protector- Fleet Foxes 3- The Rip - Portishead 4-Dounia- Rokia Traoré 5-Gila- Beach House 6-Flume- Bon Iver 7-First Communion- Gang Gang Dance 8-Dig Lazarus Dig!!!- Nick Cave and the Bad Seeds 9-Elyne Road- Toumani Diabaté 10-Mister Jung Stuffed- Man Man
11-Hopscotch Willie- Stephen Malkus & the Jicks 12-Lost Costlines- Okkervile River
...23 e 24 de Fevereiro de 2008, o ano começa com o concerto do ano: Olivier Messiaen. Claude Samuel Levine interpreta o instrumento mais "curioso" e atípico que escutei até hoje, as Ondas de Martenot. Jean Sébastien-Béreau foi o maestro, e que maestro! Béreau dirigiu o CCUL e a Orquestra Metropolitana de Lisboa e, como se pode ver e ouvir no vídeo que se segue, foram momentos de intensa musicalidade e descoberta sonora!! Fica o registo vídeo dos ensaios na sede da Orquestra Metropolitana de Lisboa. A ver até ao fim! Como se canta nas liturgias, “Pousez vous sur le son de mon coeur… "
Em 2008, foram estes os momentos maiores:
1-Olivier Messiaen, Trois Petites Liturgies de La Presence Divine, Coro de Câmara da Universidade de Lisboa, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Direcção: Jean-Sébastien Béreau (Lisboa, Grande Auditório da Culturgest) 2-Gabriel Fauré, Requiem, Coro Ricercare e Orquestra Sinfonietta de Lisboa, Direcção: Vasco Pearce de Azevedo (Lisboa, S. Roque) 3-Eurico Carrapatoso: Requiem à Memória de Passos Manuel, Coro Ricercare e Orquestra Sinfonietta de Lisboa, Direcção: Vasco Pearce de Azevedo (Sé de Santarém). 4-Eurico Carrapatoso, Motetos para um Tempo de Alegria, Coro Ricercare, Direcção: Pedro Teixeira, (Évora, Convento dos Remédios), 5-Música Vocal do Século XX, in "Música no Inverno 2008", Coro Ricercare, Direcção: Pedro Teixeira (Évora, Convento dos Remédios).
"Este vinho foi produzido exclusivamente a partir da casta Syrah. Envelhecido durante 7 meses em barricas de carvalho francês e americano até altura do engarrafamento sem filtração em Julho de 2005. " 2-Chaminé, Cortes de Cima, Alentejo (Tinto):
"Atraente cor vermelha. Aroma perfumado de fruta vermelha madura envolvida por agradáveis notas de fumado e especiarias, que oferecem complexidade ao vinho. Muito suave e redondo no paladar, com fruta generosa e textura elegante." 3- Conde da Ervideira, Reserva, Ribeira da Ervideira, Soc. Agrícola, Lda.,Alentejo(Tinto):
"Apresenta aromas de compotas de frutos vermelhos, complexados pela madeira. É aveludado, tem boa estrutura e excelentes taninos."
4- Catapereiro, Reserva, Companhia das Lezírias, Benavente, Ribatejo (Tinto)
É de origem demarcada, ou não fora da região da lezíria ribatejana! Vinho obtido pela fermentação das castas regionais com predominância do Castelão, apresenta uma originalidade e tipicidade do terreno e do clima que lhe deu origem (claro). Deve ser servido a uma temperatura de 16-18ºC.
5-Padre Pedro, Casa Cadaval, Ribatejo, (Tinto).
Vide infra.
Notas de produção:
Escolha feita na óptica do "mero utilizador", note-se. Estes foram os vinhos que fizeram história e "deram corpo" às grandes jantaradas do ano. Da Ervideira dos jantares na Caparica House, ao Il Vino no Campo Pequeno, a esplanada no verão e rescaldo de inverno.
Advertência: não consumir os primeiros dois vinhos da lista em excesso, sobretudo para potenciais espectadores de concertos em parques de estacionamento.
1- Mr. Vertigo,Paul Auster, trad. José Vieira de Lima, Asa 2008.
2- Um Homem na Escuridão, Paul Auster, trad. José Vieira de Lima, Asa 2008.
3- Crónica de um Pássaro de Corda, Haruki Marukami, Casa das Letras, trad. Maria João Lourenço, Ofícina do Livro, 2006.
4- Paris, Julieen Green, trad. Carlos Vaz Marques, Tinta da China 2008.
5- Contos Completos, Truman Capote, Trad. José Vieira de Lima, Asa, 2008.
Finalmente a lista... pouco consensual na escala hierárquica e tremenda em termos de escolha. Trata-se de uma lista atípica. Com efeito, o lugar de topo vai para um dos primeiros livros de Paul Auster cuja leitura me escapou em tempos. Reeditado pela ASA em 2008, Mr. Vertigo foi um dos livros que mais aqueceu o coração num 2008 frio e, por vezes, estupidamente cruel. "Um livro que ensina a voar", parafraseando as palavras da grande amiga AM, que partilha o mesmo fascínio pelo autor! Gracioso, belo e comovente. O autor da "Música do Acaso", o "Palácio da Lua", "Trilogia de Nova Iorque", "Timbucktu" (alguns dos livros de sempre, alguns dos melhores títulos de Auster) continua a "dar cartas" em 2008. E depois, o fenómeno estranho do ano: Haruki Marukami. A leitura de Marukami também foi aconselhada pela amiga que é fã de Auster. Ok, por que não?- pensei. As referências eram boas, a história e críticas aliciantes. Foi livro do dia na Feira do Livro (a preço convidativo) e foi lido em Junho com fervor e algum desconforto. Trata-se da leitura mais estranha e mais fascinante de 2008. Em bom rigor, não tendo sido editado em 2008, a Crónica do Pássaro de Corda merece, pelo que simboliza e por aquilo que ainda não consigo explicar, o lugar de bronze.
Quem é apaixonado por Paris não pode deixar de ler Julieen Green. É ler e sentir o vento frio de inverno, enfiar as mãos nos bolsos do casaco, enrolar o cachecol à volta do pescoço e sonhar com a cidade da luz, as margens do Sena, o cheiro a alfarrabistas e o café em Montparnasse. Por fim, Truman Capote. Embora a leitura dos Contos não esteja completa, uma vez que foi iniciada só este fim de semana, a coisa já é de tal forma forma viciante que justifica o lugar na lista.
Não, não são de Brooklin, são de Portland e intitulam-se AU. Este é o single "RR Vs D," extraído de Verbs, editado em 2008. Muitos comparam-nos com Philip Glass, , Terry Riley, Animal Collective ou Grizzly Bear. Nós por cá sentimos que as sonoridades remetem aos finais da década de 80. E por isso (hoje não seria este o tema a publicar por aqui) e como forma de agraciar o nosso jantar, aqui vai um post dedicado ao "nosso quarteto" e um Viva! à Diana, à Ju, Mariana, e Mafalda. As bébés de 2008. Estarão elas, daqui a 10 anos a ouvir Wedding Present ou My Bloody Valentine... e a compará-los com o quê?
1- Este país não é para Velhos- Joel/Ethan Coen 2-Alexandra- Alexander Sukurov 3- Antes que o diabo saiba que morreste- Sidney Lumet 4-A Turma- Laurent Cantet 5-Quatro noites com Ana- Jerzy Skolimowski
Trata-se de um dos maiores privilégios do ano. Escrever um conjunto de poemas para musicar, convidando os "meninos e meninas" a cantar . Eis as delícias de 2008, a apresentação da EMCN, interpretanto um poema de Eugénio de Andrade com música de Carlos Garcia.
Em 2009 o tema será "A Natureza" e, pela parte que nos toca, já há um rol de poemas escritos e compilados. Só falta mesmo o Gui chegar-se à frente e compor o ramalhete ao belo estílo do "(O) Formalismo Matemático em Música Quântica".
Obs: Neste vídeo adoro a parte da vénia dos pequenos cantores, aqui há malta com atitude e com futuro!
2008. J. M. Le Clézio."Dans la forêt des paradoxes"
Jean-Marie Gustave Le Clézio. Era um nome que apenas conhecia da edição de 1994 da Relógio d'Água "Diego e Frida". Confesso que voltei a folhear este livro antes da viagem ao país de Frida e Diego, sem dar a atenção devida ao nome do autor. Mais tarde a Academia Sueca anuncia o nome escolhido para o Nobel da Literatura: Le Clézio! Surpresa, quando as minhas apostas para o galardão supremo das letras iria para P. Roth. Curiosidade. Corrida às livrarias.
Após ter devorado o Índio Branco (Fenda, 2008) que merece destaque no top 5 dos livros do ano, escutei o discurso que Le Clézio proferiu em Estocolmo aquando da conferência de aceitação.
O maravilhoso discurso que enaltece grandes nomes da literatura universal (de Cervantes a S. Dagerman) intitula-se "Dans la Fôret des paradoxes". Trata-se de um dos mais belos discursos de sempre, pronunciado três dias antes da data em que se celebra internacionalmente os Direitos Humanos. O discurso merece ser escutado na íntegra aqui.
São 40 minutos de discurso que vale a pena ouvir claro está, se não tiverem nada mais interessante para fazer. Eu não tinha e depois de ter escutado o dito, posso garantir-vos que vale a pena não ter nada de mais interessante para fazer! Estou rendida a este discurso que escutei já pela segunda vez e que começa assim:
«Pourquoi écrit-on? J’imagine que chacun a sa réponse à cette simple question. Il y a les prédispositions, le milieu, les circonstances. Les incapacités aussi. Si l’on écrit, cela veut dire que l’on n’agit pas. Que l’on se sent en difficulté devant la réalité, que l’on choisit un autre moyen de réaction, une autre façon de communiquer, une distance, un temps de réflexion.»
A antecipar as listas finais de 2008 Vintage, eis um dos temas que mais rodaram por estes lados: 'Dig, Lazarus, Dig!!!' , Nick Cave & The Bad Seeds, responsável também por um dos albuns de topo do ano. Este vídeo faz as delícias cá da casa, visto e revisto à exaustão, o Senhor não se cansa de me tirar do sério. Com a devida vénia, Nick Cave.
Reconhecido em 2007 pelo The New York Times como um dos melhores vinhos tintos do mundo, esta produção da Casa Cadaval (Muge, Ribatejo) tem feito as delícias cá da casa, tendo sido incorporado nas mais importantes "provas" vínicolas a gastronómicas de 2008.
Após cuidadosa vinificação, estagiou 8 meses em meias pipas de carvalho nacional do que resulta um equilíbrio entre a Madeira e os frutos vermelhos.
Para ser bebido enquanto jovem.
Região: Ribatejo
Tipo de Vinho: Tinto
Produtor/Engarrafador: Casa Cadaval, Ribatejo
Castas: 50% Castelão Francês
Teor Alcoólico: 13.º
Excelente acompanhamento para Lasagna Verde de Soja com Manjericão fresco e Basílico.
Ribatejano, what else?
"Our No. 1 wine, the 2002 Padre Pedro from Casa Cadaval in the Ribatejo region of Portugal, is a case in point. This wine indeed had personality, with cherry fruit, spice and smoke flavors and enough tannin to give it structure. Alas, the Padre Pedro may be hard to find now, because Casa Cadaval has changed importers since this vintage. But in general Portugal is an excellent source for good, inexpensive wines, especially those from the Douro and those, like the Padre Pedro, from the Ribatejo region. This wine is labeled Ribatejano, which is a wine that comes from Ribatejo but doesn’t follow the appellation’s rules. It’s made from an unlikely mixture of grapes, including cabernet sauvignon, pinot noir, alicante bouschet and castelão, a Portuguese grape known in other parts of the country as periquita."NYT.
Iniciamos hoje o "desfile" das melhores pérolas de 2008, misturando o melhor dos vinhos, o melhor do que se editou e leu, os grandes filmes do ano, concertos, e tudo o que "contabilizou" emoções. Começamos pelos livros. A primeira citação vai para Paul Auster que continua a não saber escrever livros maus!
E como 2008 foi o ano das "noites claras", eis a citação de hoje após termos terminado o "Homem na Escuridão" ontem à "clara" da noite.
«Sozinho na escuridão, revolvo o mundo na minha cabeça enquanto me debato com mais uma insónia, com mais uma noite em branco na imensidão da natureza selvagem da América. (...)
A noite ainda é uma criança e, enquanto para aqui estou deitado na cama, perscrutando a escuridão, uma escuridão tão negra que nem consigo ver o tecto, ponho-me a recordar a história que comecei a noite passada. É o que eu faço quando o sono se recusa a vir. Deixo-me ficar deitado na cama e conto-me histórias. Podem não ser nada de especial, mas, enquanto estou dentro delas, impedem-me de pensar nas coisas que preferiria esquecer.» [inHomem na Escuridão, de Paul Auster, trad. José Vieira de Lima, ASA, 2008, p. 7 /8)]